"Diana"
— Esse casamento do Augusto está mais complicado do que deveria. Não é melhor acabar de vez? — minha mãe falou no jantar.
— Por enquanto não. O ideal é que aconteça depois do casamento da Diana. O pai do Oliver não gosta desse tipo de notícia na família — meu pai respondeu.
Tentei evitar rir daquela conversa sem cabimento. Por sorte, minha avó estava com uma amiga e não ouviu tamanho absurdo. Meus pais tinham certeza absoluta de que eram capazes de controlar Augusto, ainda que ele desse provas do contrário — fosse levando uma vida desregrada, saindo para baladas quase todos os dias com mulheres diferentes, fosse casando com uma mulher do dia para a noite.
Eu era a única que ainda era controlada. Até mesmo César já tinha entregado a toalha.
Me casaria com Oliver em alguns meses, quem sabe. Não suportava ficar sozinha com ele, ouvir a voz dele, sequer suportava saber que ele existia no mundo. Por esse motivo, tinha raiva de Augusto, meu irmão, ele conseguia tudo o que desejava sem muito esforço, fazendo o que quisesse.
Eu não tinha escolha. Era isso ou virar carta fora do baralho.
— Fiquei sabendo que você e Oliver vão viajar semana que vem. É ótimo saber que vocês estão se acertando — minha mãe comentou.
Sabendo por quem? E quem disse que aceitei viajar com ele? Pensei, já sabendo a resposta. Era incrivel como todo mundo fingia não perceber o quanto eu odiova o cara, até ele fingia.
Não respondi. Meus pensamentos foram direto para Ícaro. Na primeira vez em que apareci na casa dele, depois de transar, saí correndo mais uma vez, sem dizer meu nome, jurando nunca mais voltar. Então voltei dois dias depois, me sentindo uma louca controlada pelo tesão. Ele não disse nada, mais uma vez me arrastou para o quarto.
Eu nem sabia se ele sabia quem eu era. Qual era o meu problema? Só podia ser alguma doença.
— Di? Então vocês vão pra onde? — minha mãe dizia alguma coisa que eu não fazia ideia.
— Como?
— Você está distraída. Está acontecendo alguma coisa? — Ela perguntou preocupada.
— O de sempre. Trabalho.
— Não se desgaste tanto. Seria bom diminuir a carga depois de casar.
— Ela vai diminuir, já falei com o Oliver, ele reclamou também que você tem trabalhado demais, disse que não é bom para a sua imagem sair tão tarde do escritório.
Senti meu sangue ferver.
— Com licença — falei, me levantando da mesa. Não podia continuar aquela conversa. Saí de casa sem rumo, rodei de carro sem saber para onde ir, me sentindo um bicho encurralado, pronto para ser abatido.
Mas quem eu queria enganar? No fim, estava estacionada do outro lado da rua da casa dele.
Ícaro era como um ímã. Eu era atraída por ele como um pedaço de ferro, não conseguia evitar. Negava, fugia, fingia que nada tinha acontecido, mas meu corpo lembrava. Sentia falta. Era uma maldita droga.
Eu sabia que ele tinha uma filha; tinha visto uma foto na sala. Não sabia se morava com ela ou não. Não sabia nem se era casado. Não seria o primeiro homem a levar outra mulher para a cama da esposa, não sabia nada e tinha medo de saber.
Nunca entendi quem perdia a cabeça por causa de sexo, e agora eu estava ali, dentro do carro, do outro lado da rua da casa de um homem que eu mal conhecia, querendo que ele me pegasse, rasgasse minhas roupas. Eu só podia ter um problema grave. Não era possível.
Liguei o carro para ir embora, mas alguém bateu na janela, me assustando.
Ícaro estava do outro lado da porta do passageiro.
— Você me assustou — falei, destravando a porta. Ele entrou no carro. Toda a presença dele me deixava abalada.
— O que você está fazendo aqui a essa hora? Te vi pela janela. Faz uns vinte minutos que está parada aqui.
— Não sei — confessei. — Não tenho ideia do porquê estou aqui.
— Claro que sabe — ele disse, me puxando para si e me beijando. Fui sem resistência, me entregando de corpo e alma a um simples beijo.
Perdi a noção, esqueci mais uma vez quem eu era, e satisfeita dormi abraçada com ele.
Só me dei conta do erro quando acordei no dia seguinte com o sol entrando pela janela e o cheiro de café na casa. Vesti minhas roupas com pressa, estava atrasada e se chegasse assim em casa ou na empresa saberiam na hora o que andei fazendo.
— Preciso ir
— Coração, toma uma café
— Não posso, eu tenho que ir.
— Pode sim, vem — Icaro sabia o poder tinha sobre mim, me deu selinho e colocou um xicara de café na minha mão.
— E a sua filha?
— Já foi para escola, mas não se preocupe, ela é já uma adolescente, se visse você aqui era capaz de gritar de felicidade.
Não sabia o que pensar disso, mas pelo menos significava que ele não era casado. Tomei o café e olhei em volta pela primeira vez. Era uma casa grande e bonita; eu podia apostar que ele tinha reformado o lugar. Minha mãe teria um colapso se me visse ali, na casa de um homem que ela certamente julgaria abaixo do nosso padrão social.
— Eu tenho realmente que ir — Tomei o café que estava uma delicia.
Mas Icaro me puxou para um beijo com gosto de café.
— Eu tenho que trabalhar e imagino que você também — Disse usando toda a minha força de vontade para em soltar dele.
— Meu trabalho agora é fazer você gozar até ouvir seus gemidos, sem medo de alguém ouvir — Ele disse no meu ouvido.
E foi meu fim mais uma vez.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com um cafajeste para me vingar do ex-marido
Não estou entendendo.. Por que um capítulo liberado outro bloqueado?? 😩😩😩...
Gostando bora ver como será...
Alguém tem o capítulo de 27 pra frente?...
3 dias e sem um capítulo novo. Frustante....
Ta demorando muito,um capítulo so por dia é extremamente pouco, da vontade de largar....
Até o capítulo 142, pularam alguns capítulos, agora vai p o 224...
Perfeito!...