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Casei com um cafajeste para me vingar do ex-marido romance Capítulo 90

"Isabella"

Minha sogra abriu um sorriso ao me ver parada na porta, não era um sorriso caloroso, dava para notar que eu interrompia alguma coisa.

— Querida, que bom que você chegou. — Ela se levantou e me cumprimentou com um beijo no rosto. — Viemos conversar com o Augusto. Agora que as coisas meio que se resolveram, podemos fazer um jantar lá em casa, reunir a família. O Oliver avisou que vai fazer o pedido de casamento oficial para a Diana, já comprou até o anel, lindo. É segredo, ainda, não falem nada para ela. Vai ser uma ocasião especial e quero toda a familia reunida.

Pela expressão do Augusto, percebi que a conversa não era bem essa. Forcei um sorriso. Meu sogro continuava com a mesma cara fechada de sempre.

— Falei para a minha mãe que talvez não seja o momento ainda — Augusto disse, com um tom ríspido.

— Não fale assim com a sua mãe — o pai o repreendeu.

— Não briguem. — Minha sogra suspirou. — Tenho certeza de que será um jantar maravilhoso. Outra coisa, com vocês se ajeitando, já está mais do que na hora de o César também iniciar uma família. Você viu a moça que ele levou no aniversário da Diana?

— É a minha prima — interrompi.

— Sério? — Ela ergueu as sobrancelhas. — Tenho certeza de que é uma moça ótima, mas não faz o tipo do meu filho. Augusto, você não conhece alguma amiga solteira? Uma irmã de algum dos seus amigos?

— Ele só conhece as vagabundas e as doidas — soltei, antes de conseguir controlar. O comentário saiu por impulso, tanto por insinuarem que minha prima não era boa o bastante quanto pela ideia absurda de o Augusto apresentar alguém ao irmão.

Minha sogra se chocou. Até ali, nos poucos momentos juntas, eu sempre parecera quase doce. No primeiro encontro eu estava meio bêbada e falando besteiras, mas ainda assim divertida.

— Mas isso é passado — ela disse, se recompondo. — Tenho certeza de que agora ele é um novo homem, afinal se casou com você.

Augusto apenas observava, me encarando com um olhar firme demais.

— Tenho certeza que sim… não é, amor? — provoquei, mais irônica do que pretendia.

— Então fica marcado o jantar para semana que vem — meu sogro decretou, impaciente. — Preciso voltar. Tenho uma reunião com o conselho agora à tarde. Augusto, quero que você participe. Temos algumas coisas para discutir, incluindo seu departamento.

— Não fui avisado de nada.

— Está sendo avisado agora. Esteja preparado.

— Tchau, queridos. Até a semana que vem.

Ele se levantou e saiu. Minha sogra o seguiu, me deixando sozinha com Augusto.

O silêncio durou alguns segundos antes que ele resolvesse falar.

— O que você foi fazer no escritório do seu ex-marido? — O tom era cortante.

— Tinha assuntos para tratar com ele.

— Que assuntos você ainda tem para tratar com aquele cara? Sua irmã já está em casa, você já chamou a advogada para cuidar do divórcio… então que assuntos ainda tem com ele?!

Ele estava realmente bravo, não sei se pela conversa com os pais ou só comigo mesmo.

— Se continuar falando assim, vou embora. Não vim para discutir.

Augusto levantou as mãos, rendido.

— Eu só não entendo o que vocês ainda têm para conversar — disse. Era ciúmes. Ele ainda tinha ciúmes. Como se houvesse qualquer chance de reacender algo entre Carlos e eu.

— Com tudo que aconteceu com a sua irmã e com o seu ex-marido… — Augusto começou, respirando fundo. Segundo meus pais, no caso, mais a minha mãe, eles acham que esse casamento virou um estorvo, e não uma solução. Aquelas fotos também chegaram até eles, então temem que eu seja visto como um adúltero enquanto a esposa está em casa com problemas. Ou seja… era melhor quando eu era um solteirão convicto. O prejuízo financeiro era menor.

Uma coisa que eu não podia reclamar era o quanto Augusto era sincero comigo. Sincero até demais.

Saber que os pais dele me viam como um estorvo me causou uma certa mágoa. Era quase irônico, antes, quando acreditavam que nosso casamento era uma farsa, tudo parecia mais fácil.

— Entendi — murmurei. Foi a única palavra que consegui dizer. — Você queria um casamento para provar para o seu pai que é um homem responsável. Em partes, acho que conseguiu. Agora precisa provar que é capaz de ser fiel mesmo em um casamento fracassado com uma interesseira.

— Nosso casamento não é um fracasso — Augusto rebateu — e você não é interesseira. Eu sei disso. Não me importa o que eles pensam.

— Claro… — desviei o olhar, sentindo o cansaço me dominar. — Olha, eu estou me sentindo cansada. Vou para casa.

Ele queria falar mais alguma coisa mas desistiu, no fim, saí do escritório do Augusto sem termos conversado de fato. Estava cansada. Fui direto para casa. Quando cheguei Karen estava na sala com o filho, assistindo a um filme infantil.

— Tenho uma notícia ótima — anunciei, sentando no sofá e pegando meu sobrinho no colo. Ele era um bebê lindo, que sempre sorria quando o pegava no colo.

Expliquei tudo para ela, talvez pudesse voltar para a própria casa. Mas, em vez de alívio, ela pareceu assustada.

— Não sei se quero morar lá de novo — disse. — Os últimos tempos ao lado do Carlos foram aterrorizantes.

— Eu sei… mas ele não vai mais morar lá. Podemos reformar, mudar tudo…

— Não. — A convicção dela me surpreendeu. — Prefiro vender e comprar outro lugar. Muito obrigada pelo que você fez, mas eu não vou morar naquele lugar de novo. São muitas lembranças ruins, na verdade quero resolver tudo o mais rápido possivel, conseguir a minha casa e não ficar dependendo de você.

Não quis discutir com ela na frente do bebê. Além disso, Karen ainda estava frágil. Tinha acabado de voltar e precisava de tempo.

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