"Isabella"
Minha sogra abriu um sorriso ao me ver parada na porta, não era um sorriso caloroso, dava para notar que eu interrompia alguma coisa.
— Querida, que bom que você chegou. — Ela se levantou e me cumprimentou com um beijo no rosto. — Viemos conversar com o Augusto. Agora que as coisas meio que se resolveram, podemos fazer um jantar lá em casa, reunir a família. O Oliver avisou que vai fazer o pedido de casamento oficial para a Diana, já comprou até o anel, lindo. É segredo, ainda, não falem nada para ela. Vai ser uma ocasião especial e quero toda a familia reunida.
Pela expressão do Augusto, percebi que a conversa não era bem essa. Forcei um sorriso. Meu sogro continuava com a mesma cara fechada de sempre.
— Falei para a minha mãe que talvez não seja o momento ainda — Augusto disse, com um tom ríspido.
— Não fale assim com a sua mãe — o pai o repreendeu.
— Não briguem. — Minha sogra suspirou. — Tenho certeza de que será um jantar maravilhoso. Outra coisa, com vocês se ajeitando, já está mais do que na hora de o César também iniciar uma família. Você viu a moça que ele levou no aniversário da Diana?
— É a minha prima — interrompi.
— Sério? — Ela ergueu as sobrancelhas. — Tenho certeza de que é uma moça ótima, mas não faz o tipo do meu filho. Augusto, você não conhece alguma amiga solteira? Uma irmã de algum dos seus amigos?
— Ele só conhece as vagabundas e as doidas — soltei, antes de conseguir controlar. O comentário saiu por impulso, tanto por insinuarem que minha prima não era boa o bastante quanto pela ideia absurda de o Augusto apresentar alguém ao irmão.
Minha sogra se chocou. Até ali, nos poucos momentos juntas, eu sempre parecera quase doce. No primeiro encontro eu estava meio bêbada e falando besteiras, mas ainda assim divertida.
— Mas isso é passado — ela disse, se recompondo. — Tenho certeza de que agora ele é um novo homem, afinal se casou com você.
Augusto apenas observava, me encarando com um olhar firme demais.
— Tenho certeza que sim… não é, amor? — provoquei, mais irônica do que pretendia.
— Então fica marcado o jantar para semana que vem — meu sogro decretou, impaciente. — Preciso voltar. Tenho uma reunião com o conselho agora à tarde. Augusto, quero que você participe. Temos algumas coisas para discutir, incluindo seu departamento.
— Não fui avisado de nada.
— Está sendo avisado agora. Esteja preparado.
— Tchau, queridos. Até a semana que vem.
Ele se levantou e saiu. Minha sogra o seguiu, me deixando sozinha com Augusto.
O silêncio durou alguns segundos antes que ele resolvesse falar.
— O que você foi fazer no escritório do seu ex-marido? — O tom era cortante.
— Tinha assuntos para tratar com ele.
— Que assuntos você ainda tem para tratar com aquele cara? Sua irmã já está em casa, você já chamou a advogada para cuidar do divórcio… então que assuntos ainda tem com ele?!
Ele estava realmente bravo, não sei se pela conversa com os pais ou só comigo mesmo.
— Se continuar falando assim, vou embora. Não vim para discutir.
Augusto levantou as mãos, rendido.
— Eu só não entendo o que vocês ainda têm para conversar — disse. Era ciúmes. Ele ainda tinha ciúmes. Como se houvesse qualquer chance de reacender algo entre Carlos e eu.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com um cafajeste para me vingar do ex-marido