Entrar Via

Casei com um cafajeste para me vingar do ex-marido romance Capítulo 91

"Augusto"

Quando abri a porta de casa, o cheiro de bolo de chocolate me envolveu, ativando a memória de quando as coisas pareciam mais simples.

Isabella derramava cobertura sobre o bolo, os cabelos presos em um coque, usando uma blusa de alcinha colada. Aquilo me atingiu em cheio, fazia muito tempo que não nos tocávamos de verdade. A cena podia ser comum, mas o desejo veio forte, uma vontade quase incontrolável de encostá-la naquele balcão e me perder no corpo dela.

— Oi. Desculpa atrapalhar sua dieta, mas achei que seria legal fazer um bolinho… ter um pouco de normalidade. Não ficou lindo? — Isabella sorriu, orgulhosa do próprio trabalho. Esse foi meu erro desde o inicio, trazer ela para dentro de casa, para a minha cama, deixar que ficasse a vontade, permitir uma abertura que rachou todas proteções que construi ao meu redor, nunca tinha me apaixonado, nunca tinha deixado ninguém entrar nem na minha casa.

E agora ela esta ali, de pé na minha cozinha, era a minha mulher, o contrato inicial esquecido em algum lugar, tinha me casado de verdade, querendo aquela mulher, sem nem saber exatamente quando tudo começou, talvez eu tenha me enganado desde o inicio, e tudo tenha começado na sala de quimica.

Me aproximei, sentindo o cheiro do chocolate e o dela.

— Augusto… — Ela falou meu nome quase num gemido quando a puxei pela cintura e encostei o rosto no seu pescoço. Eu teria perdido a cabeça ali mesmo, se não fosse o barulho que denunciou que não estávamos sozinhos.

— Me desculpa — Disse Karen entrando na cozinha — Tenho que esquentar a mamadeira, Meu Deus! Que bolo lindo, parece muito bom, vou querer um bom pedaço.

Isabella se virou para lavar alguma coisa na pia.

— O bolo da Bela não está maravilhoso? — perguntou, pegando um pouco da cobertura com o dedo e lambendo, olhando diretamente para mim, enquanto Isabella se virou para guardar as coisas na pia.

— Tenho certeza que sim — Me aproximei de Isabella mais uma vez e dei um beijo nos cabelos dela, antes de subir para o meu quarto.

Eu não conseguia explicar por que a presença da Karen me incomodava tanto. E também não reclamava com Isabella, que estava empenhada em ajudar a irmã.

Nos últimos dias, Karen parecia estar em todos os lugares. E, em geral, aparecia quando Isabella não estava, puxando assunto. Eu conhecia mulheres desse tipo. Talvez fosse só uma desconfiança baseada no que sabia dela, mas a impressão era de que queria se aproximar mais do que deveria.

A aparência de mulher abatida e fugida tinha dado lugar à velha Karen, maquiada, andando pela casa com um robe de seda até os pés.

Eu sabia que Isabella estava comprando coisas para ela e bancando o sobrinho.

E não fazia ideia se minha impressão era paranoia ou não. Por isso evitava. Me afastava.

Tomei banho e me troquei, ainda com o cheiro de Isabella grudado em mim, o corpo dela, o tempo todo me segurando. Eu precisava dela. Depois conversaríamos. Depois resolveríamos o resto.

— Você acha que sua mãe vai se incomodar se levarmos a Karen para o jantar? Ela fica aqui presa, e acho estranho sair e deixá-la sozinha — Isabella entrou no quarto enquanto falava.

— Acho que não — respondi, me aproximando dela.

— O que você está fazendo?

— Te beijando.

Isabella veio sem resistência para os meus braços. Minha boca encontrou a dela depois de tanto tempo. Parecia uma eternidade. Beijei-a com fome, já duro, já querendo arrancar sua blusa de alcinha.

Mas Isabella se afastou de repente, sem fôlego.

— Não. Você me traiu com a puta da Juliana… — Disse com a voz carregada mágoa.

— Vai ser sempre assim, cada vez que você sai eu recebo mensagens, fotos, cada vez que trabalha tarde imagino se está mesmo trabalhando ou com alguma vagabunda, me diz, como isso por dar certo? Não posso viver o resto na vida na desconfiança, imaginando se você esté com outra, lembra do plano original? Talvez no fundo seja melhor assim, para nós dois.

Isabella se desvencilhou dos meus braços e saiu do quarto em silêncio Qualquer clima se quebrou. Eu estava cansado daquela situação, cansado de tudo de tudo. Em algum ponto tudo tinha dado errado.

Me arrumei. Não tinha vontade de ficar na minha própria casa, o lugar que antes eu considerava meu refúgio, parecia agora claustrofóbico.

Quando saí do quarto, Karen abriu a porta bem na hora. Usava uma camisola preta de renda, curta até o meio da coxa, transparente nos seios e me olhou ansiosa.

— Está tudo bem? Acho que ouvi uma discussão… — perguntou com a voz baixa, provavelmente para Isabella não ouvir.

— O que você quer? — perguntei, seco.

Karen deu um passo para trás, com uma expressão de tristeza.

— Nada, me desculpa. Só estou preocupada com a Isabella… e com vocês. Tantas brigas. Mal conseguem se aproximar um do outro, uma parte disso eu sei que é por minha culpa, não quero causar discordia, se eu puder ajudar em alguma coisa.

Não tinha vontade de conversar com Karen ainda mais sobre meus problemas, por isso me virei para ir embora.

— Augusto — Karen segurou meu braço, se aproximando — Se você quiser conversar, estou aqui — disse, com uma voz baixa demais, sugerindo qualquer coisa menos ter uma conversa.

Não respondi, me desvencilhando e seguindo pelo corredor. Era apenas quinta-feira. Em vez do bar, fui para a Lush. Não queria ficar sozinho comigo mesmo, remoendo mais uma discussão com Isabella.

Bebi no caminho, e pretendia beber mais quando chegasse, esquecido de tudo, inclusive que a prima de Isabella trabalhava no local, só percebendo o erro quando cheguei no bar e encontrei César, a última pessoa que imaginava em um bar no meio de uma balada, bebendo o que parecia um drink sem graça.

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com um cafajeste para me vingar do ex-marido