O estado de Natália naquele momento era, de fato, um tanto patético, com respingos de álcool manchando seu rosto e cabelo.
Porém, essa imagem frágil e desoladora a tornava visualmente sedutora.
O cabelo de Natália era volumoso, longo e escorria reto até a cintura fina; aquele visual despedaçado aliado ao seu belo rosto causava um grande impacto.
E o fato de ela manter os cabelos longos e lisos era provavelmente porque Sérgio gostava...
Melissa também tinha os mesmos longos cabelos lisos.
Os pensamentos de Natália continuavam atordoados; a única coisa que ela sentia era a leve fricção do polegar do homem em sua palma.
Instantes depois, Sérgio, subitamente, ergueu a outra mão.
Ele afastou as mechas de cabelo grudadas no rosto dela. Embora estivessem molhadas de álcool, ele não pareceu se importar.
Natália ficou paralisada.
Antes que pudesse reagir, ele usou os dedos para limpar as lágrimas de seu rosto, além dos respingos da bebida.
A garganta de Natália apertou e ardeu; ela entreabriu os lábios, querendo dizer algo.
Mas parecia não ter a menor ideia do que falar.
Porque Sérgio havia acabado de responder com aquele "sim", calando-a completamente naquele momento.
Mas agora, ele agia dessa maneira.
Sem que Natália conseguisse formular uma frase, Sérgio recolheu a mão e tomou a iniciativa de falar.
Ele disse:
— Já causou confusão suficiente; a raiva também já deve ter passado. Vá logo se lavar e descansar. Se estiver com mal-estar no estômago, tome o remédio. Amanhã teremos que acordar cedo.
Se as ações e palavras iniciais haviam despertado nela um frio na barriga quase incontrolável, a menção de "amanhã teremos que acordar cedo" extinguiu de vez aquela esperança frágil.
Natália deu um sorriso frio e retrucou:
— Depois de tudo isso, você ainda teme se atrasar para buscar a Melissa.
Sérgio não disse nada.

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