Ela já havia lutado com todas as suas forças, mas de nada adiantara.
Sérgio deixara claro: nem se o céu caísse a decisão mudaria, e ninguém poderia mudá-la.
Uma determinação tão inabalável... era realmente de comover qualquer um.
A tentativa dela de abalar isso era, na verdade, totalmente ridícula.
Tão absurda quanto uma formiga tentando derrubar uma árvore!
Que lugar ela ocupava no coração de Sérgio?
E qual era o lugar de Melissa?
Ela havia se superestimado demais.
Com esses pensamentos desoladores, Natália arrastava seus passos pesados em direção ao andar de cima.
Sérgio observou a silhueta fina e frágil de suas costas, enquanto tragava o cigarro até a ponta ficar incandescente.
Puxou com tanta força que os pulmões arderam.
Com o cigarro entre os dedos, estreitou levemente os olhos e encarou Natália através da fumaça.
Ela parecia um pouco diferente de antes.
Lhe lembrava de como ela era no passado: uma rosa com espinhos.
Instantes depois, numa atitude completamente atípica, Sérgio jogou o cigarro diretamente no chão.
O piso estava forrado de bebidas derramadas, de forma que o cigarro se apagou silenciosamente ao tocar a superfície.
— Natália. — chamou Sérgio, de repente.
As costas de Natália congelaram inexplicavelmente, e seus passos quase descompassaram.
Porque, para sua própria surpresa, um medo incontrolável apoderou-se dela... o medo de que ele dissesse "eu aceito o divórcio".
O que estava... acontecendo com ela?
Como podia ser tão covarde?
Ela odiava aquela versão de si mesma.
Ou, talvez, ela pudesse falar em divórcio e o ideal seria que Sérgio apenas assinasse o papel em silêncio.
Ela não queria... escutá-lo falar!
Contudo, ele realmente não disse mais nada; apenas pronunciou o nome dela, deixando no ar o que pretendia dizer.
Involuntariamente, Natália apertou o passo.
A voz de Sérgio, entretanto, voltou a soar em suas costas.
Ele disse:
— Todo esse drama... é por causa do Fábio?
Natália estacou e virou-se para encará-lo.
Exatamente na hora em que ele retirava outro cigarro e, com a cabeça levemente inclinada, o acendia.
O olhar, contudo, permanecia fixo nela.
Os olhares se cruzaram justo quando o isqueiro se apagou, deixando a ponta do cigarro de um escarlate ardente.
Natália ficou perplexa.
E Sérgio simplesmente continuou a encará-la.
Um estava na escada, o outro lá embaixo.

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