Dou as costas para Chiara, determinada a encontrar Ettore e finalmente contar a verdade que guardei por tanto tempo.
Mas, quando minha mão toca a maçaneta da porta, a voz dela me detém.
— Vai mesmo contar para ele? — pergunta num tom baixo, quase casual. — Parece que você está se esquecendo do que assinou, não é?
Congelo com suas palavras. Meus dedos ainda seguram a maçaneta enquanto viro lentamente para encará-la.
A dúvida ainda brilha em seus olhos, mas é o sorriso que ela esboça que faz meu estômago revirar.
— O acordo de confidencialidade — murmuro, sentindo a raiva e o desespero subirem juntos.
Ela sabe mais do que imaginei. Sabe do contrato que assinei. E também sabe da multa absurda que eu teria que pagar se quebrasse o silêncio.
Um valor que eu, claramente, não tenho. Ou não estaria prestes a me casar com Ettore como última alternativa.
— Ao menos sua memória continua boa — diz, com um sorrisinho venenoso.
Chiara percebe minha hesitação e, com toda sua arrogância, se senta na cama como se fosse a dona do mundo.
— Considerando o estado financeiro da sua família — continua, com desprezo em sua voz —, acho difícil você conseguir bancar as consequências dessa… sinceridade repentina.
— Você sabia… — murmuro, trêmula de raiva. — Sabia de tudo o que Victor fez.
— Meu marido raramente tomava decisões importantes sem me consultar, querida — responde com orgulho. — Especialmente quando envolviam o futuro do nosso filho.
— Vocês destruíram a minha vida — sussurro, engolindo em seco o nó na garganta.
— Protegemos o Ettore — ela rebate, dando de ombros como se fosse óbvio. — E, convenhamos, você também queria o melhor para ele… ou não teria assinado nada daquilo.
— E você acha mesmo que esse papel ainda vale alguma coisa? — rebato, tentando soar firme. — Victor está morto. Só ele poderia…
— O contrato continua válido — ela me corta, fria. — E, ao contrário de você, eu tenho bons advogados prontos para fazer valer cada cláusula.
Sinto minhas pernas fraquejarem, me obrigando a me apoiar na parede para não cair. Continuo presa na armadilha perfeita dos Bianchi.
Se eu contar a Ettore, destruo de vez o que resta da minha família. Se não contar, sigo carregando o peso de uma mentira que nunca foi minha.
Chiara se levanta devagar, ajeitando a echarpe nos ombros com a calma de quem tem certeza de que venceu.
— Vale a pena arriscar tudo por um homem que provavelmente não vai nem acreditar em você? — pergunta, se aproximando. — Vai mesmo pôr tudo a perder só para limpar a consciência?
Fico em silêncio, e ela interpreta isso como rendição. O sorriso satisfeito volta ao seu rosto, junto àquela arrogância que é praticamente a marca registrada dela.
— Desistiu? — murmura, com desdém. — Eu devia imaginar isso. Os Montesi sempre foram covardes demais.
— Que escolha eu tenho? — minha voz falha, sufocada pelo choro. — E se eu contar a verdade… e ele não acreditar? Ou você já esqueceu o que ele me disse da última vez que tentei falar sobre isso?
Giulia me encara, tão perdida quanto eu. Ela entende. Não há saída fácil.
— Então vamos achar um plano B — diz, determinada. — Começando por um vestido novo.
— Não dá tempo — digo, secando as lágrimas com as costas da mão. — A cerimônia é em menos de uma hora.
— Sempre há um jeito — ela rebate, passando a mão nos meus cabelos. — E eu me recuso a deixar a bruxa Bianchi sair por cima.
Antes que eu consiga responder, a porta se abre novamente. Nós duas congelamos.
Ettore está ali. Na soleira. Imponente. Intenso.
Seus olhos percorrem o quarto até pararem em mim, sentada no chão, vestida com o que sobrou do meu vestido de noiva.
Por um segundo, algo muda em seu olhar. Como se ele fosse correr até mim. Como se, por um instante, ele ainda se importasse.
Mas a expressão dele se fecha rapidamente. Rígida. Fria.
— Que porra aconteceu aqui? — ele pergunta, a voz baixa, mas carregada de tensão.

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