“Ettore Bianchi”
Quando Adeline me contou que viu minha mãe entrando no quarto de Liz, soube que isso significava problemas.
Minha mãe nunca aceitou Liz, especialmente quando soube que eu estava disposto a largar tudo por ela, anos atrás.
Agora, parado à porta do quarto, vendo Liz e Giulia trocarem olhares tensos, tenho a confirmação: meus instintos estavam certos.
— Sua mãe não ficou muito feliz com o casamento — Liz diz, cortando a amiga antes que ela possa falar. — E fez questão de deixar isso bem claro.
Fecho a porta atrás de mim, sentindo o maxilar travar com a raiva.
— Foi minha mãe quem fez isso com você? — pergunto, encarando o que restou do vestido da minha noiva.
Ela apenas assente, desviando o olhar. O silêncio dela me irrita mais do que o próprio ataque da minha mãe.
Por que essa nova versão entediante de Liz nunca se defende?
— O casamento ainda vai acontecer? — Giulia pergunta, se levantando com um suspiro pesado. — Porque não tem como a Liz subir ao altar assim.
— Claro que vai — respondo, sem pensar duas vezes. — Nem que ela tenha que casar de camisola.
— Vou procurar algo no closet que sirva para a cerimônia.
Assim que Giulia desaparece, ficamos sozinhos. Liz se levanta, tentando ajeitar os retalhos do vestido num esforço inútil de manter alguma dignidade.
— Por que quer continuar com isso? — pergunta, finalmente me encarando. — Sua mãe me odeia, ontem, hoje e sempre.
Fico olhando para ela por um segundo. Mesmo com os olhos vermelhos e a maquiagem borrada, Liz ainda é a mulher mais linda que já vi.
— Minha mãe não decide por mim — respondo, firme. — Nunca decidiu. E você sabe disso.
— Não precisamos fazer isso, Ettore — ela insiste, dando um passo na minha direção. — Podemos encontrar outro jeito de salvar a empresa sem enfiar uma Montesi na sua família.
A maneira como ela diz isso, me oferecendo uma saída, tentando desistir novamente… É impossível não lembrar de tudo o que já aconteceu. Tudo que tentei enterrar por anos.
— Eu estava determinado a fazer isso há três anos — as palavras escapam antes que eu possa contê-las. — E, embora as circunstâncias tenham mudado, não vou me curvar às vontades da minha mãe. Nós vamos nos casar.
Liz assente em silêncio, e vejo o impacto das minhas palavras nos olhos dela. Uma lágrima escorre pela bochecha e percebo que falei mais do que devia.
— Para de chorar — digo, me recompondo. — O casamento vai acontecer. A primeira parte do investimento foi feita esta manhã.
Ela morde o lábio, segurando o que quer que estivesse prestes a dizer.
— A cerimônia acontecerá em quarenta minutos — continuo, verificando meu relógio. — Recomponha-se. Você tem um papel a cumprir, e não será chorando que vai realizá-lo.
Saio antes que minha indiferença vacile, antes que eu me permita sentir qualquer coisa além da raiva que me manteve de pé nos últimos três anos.
No corredor, respiro fundo, tentando retomar o controle.
Dessa vez, minha mãe passou de todos os limites.
— O que sinto ou deixo de sentir não é da sua conta. Não sou mais uma criança.
— Isabella seria perfeita para você — ela insiste, ignorando minhas palavras. — Uma moça de boa família, educada, apropriada para um Bianchi. Ela está esperando há…
— Isabella nunca foi uma opção — corto, me afastando. — E você sabe disso.
— Você sempre foi teimoso como seu pai — ela resmunga, amarga.
— Você tem duas opções, mãe — continuo, abrindo a porta com calma. — Pode comparecer ao casamento e apoiar sua família, ou pode se retirar para a casa de campo até conseguir se comportar como uma adulta.
A indignação no rosto dela seria cômica em qualquer outra circunstância. Chiara Bianchi sendo contrariada é um espetáculo raro.
Saio do escritório sem esperar resposta e sigo direto para o quarto, onde Max já me espera, impecavelmente vestido como meu padrinho.
— A noiva fugiu? — ele ironiza ao me ver entrar.
— Pior — respondo, ajustando a gravata diante do espelho. — Minha mãe destruiu o vestido de Liz.
Ele solta um assobio baixo.
— Mas ainda vai ter casamento?
— Óbvio. Não cheguei até aqui para desistir — digo com tranquilidade. — Liz vai ser minha esposa. E que Deus ajude quem tentar impedir.

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