“Liz Bianchi”
Voltar à empresa após o casamento está sendo estranho.
É como se eu tivesse mudado da noite para o dia, como se carregar o sobrenome Bianchi me transformasse numa pessoa completamente diferente.
Agora, após o almoço, tento novamente ignorar os mesmos olhares que me receberam pela manhã.
Mas, no fundo, nem posso culpá-los. Em uma empresa que sempre teve os Bianchi como rivais, ver a filha do dono carregando esse sobrenome deve parecer uma traição.
Respiro fundo antes de entrar na minha sala, mas mal abro a porta e sou recebida por um abraço quase sufocante.
— Finalmente! — Giulia exclama, me puxando para dentro e fechando a porta atrás de nós. — Já estava quase enlouquecendo de ansiedade.
— Estou vendo — respondo, deixando a bolsa sobre a mesa. — Para estar aqui na sua folga…
— Eu não ia esperar até amanhã para saber! Agora comece a contar: como foi a noite de núpcias?
— Não aconteceu nada, Giu — minto, evitando seu olhar enquanto me sento na cadeira.
Ela arqueia uma sobrancelha, claramente desconfiada, e se senta na beira da minha mesa.
— Nada? Sério? Nem um beijinho? Nem uma mãozinha boba?
O calor sobe pelo meu pescoço ao lembrar do beijo intenso, das mãos de Ettore explorando minhas costas nuas, do desejo nos olhos dele… antes de recuar.
— Aconteceu… algo — admito. — Mas ele deixou bem claro que foi um erro. Um que não vai se repetir.
— Aquele idiota, filho da mãe — resmunga, indignada. — E agora? Como fica esse… acordo?
— Do jeito que era para ser: continuamos nossas vidas — respondo, abrindo minha pasta de desenhos. — Ele com as empresas dele, eu com as minhas criações.
— Sabe que ele também é dono de 30% desta empresa agora, né? — comenta, fazendo uma careta. — Quase nosso chefe.
— Sim, obrigada por me lembrar.
Conversamos mais alguns minutos, até que, finalmente, a ruiva se despede e sai para aproveitar o restante da folga.
Por algum tempo, finalmente consigo me desligar de tudo, focando apenas nos meus desenhos. No entanto, poucas horas depois, uma batida à porta interrompe minha concentração.
— Entre — digo, sem tirar os olhos do esboço.
A porta se abre e, pelo reflexo no vidro da mesa, vejo meu pai entrando. Meu corpo se tensiona automaticamente.
— Oi, filha. Só consegui um tempo agora — ele diz, com um tom falsamente casual. — Como foi o resto do fim de semana?
— Ótimo, pai — respondo, sem me dar ao trabalho de olhá-lo. — Obrigada por perguntar.
— Como estão seus projetos para a próxima coleção?
Finalmente, levanto a cabeça, encarando-o com uma calma que eu definitivamente não sinto.
— Desde quando se interessa pelos meus projetos?
— Sou o presidente desta empresa, Liz. Claro que me interesso pelo que desenhamos.
— Interessante — comento, sarcástica. — Porque desde que me formei, você não apareceu em nenhuma apresentação das minhas coleções. Nem mesmo quando ganhamos o prêmio de inovação no ano passado.

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