“Ettore Bianchi”
Todos os membros do conselho já estão sentados quando entro na sala de reuniões do Grupo Bianchi.
Olhares que variam entre curiosidade e desaprovação me seguem enquanto cruzo a sala.
Meu tio Alessandro, irmão mais novo do meu pai, é o único que sorri genuinamente ao me ver.
— Bom dia — cumprimento, ocupando meu lugar na cabeceira da mesa. — Segunda-feira, cedo demais para quem esperava adiar o inevitável, certo?
Alguns murmúrios desconfortáveis ecoam pela sala, enquanto minha assistente distribui as pastas com a pauta da reunião.
— Antes de começarmos — continuo, a voz firme —, agradeço o apoio nos últimos dois meses. Não foram fáceis, mas estou aqui para honrar o legado de meu pai.
— Honrar o legado de Victor Bianchi é exatamente o que discutiremos hoje — a voz de Giorgio Ricci, pai de Isabella, corta o ar com desdém.
Giorgio sempre quis que eu me casasse com sua filha. O fato de eu ter escolhido uma Montesi deve ter sido um golpe em seu ego inflado.
— Ettore — ele continua, entrelaçando os dedos sobre a mesa —, você nos pegou de surpresa com esse casamento. Não vou questionar suas escolhas pessoais, mas…
— Mas está fazendo isso exatamente agora — interrompo com calma, mantendo meu olhar fixo no dele. — E não vejo como meu casamento é relevante para esta reunião.
— É relevante quando você se casa com a filha do nosso maior concorrente — Franco, outro membro do conselho, rebate. — Uma empresa à beira da falência, diga-se de passagem.
— Compreendo a apreensão de todos — respondo, folheando calmamente os documentos à minha frente. — Então, esclarecendo: sim, a Montesi & Co. enfrenta dificuldades, mas isso não representa risco para nós. E, antes que alguém pergunte: meu investimento foi pessoal. Pessoal, senhores. Impressionante como alguns aqui ainda não entenderam o conceito.
— Mesmo assim — Giorgio insiste —, é um conflito de interesses. A princesinha dos Montesi agora tem acesso privilegiado às nossas informações, através de você.
Sinto meu maxilar travar ao ouvir Giorgio se referir à Liz como “a princesinha dos Montesi”, como se ela fosse um bibelô inútil.
— A Sra. Bianchi — enfatizo o nome, sentindo um estranho prazer em pronunciá-lo — não tem acesso a nenhuma informação confidencial do Grupo.
— Senhores, creio que estamos nos desviando do propósito desta reunião — Alessandro intervém. — Ettore cumpriu a cláusula do testamento ao se casar. Isso é incontestável. O controle acionário do Grupo Bianchi é dele por direito.
Giorgio revira os olhos, claramente insatisfeito, mas permanece em silêncio.
— Obrigado, Alessandro — digo, antes de virar para enfrentar o conselho. — Agora, falemos de negócios. Temos a nova linha de produtos de luxo para lançar no próximo trimestre, e os relatórios preliminares do departamento de design não são animadores.
Por quase duas horas, discutimos projeções financeiras, estratégias de marketing e novos mercados.
A tensão inicial se dissipa lentamente, mas a sensação de alerta permanece. Nos olhares de Giorgio e Franco, é fácil perceber que a guerra está apenas começando.
O que eles não sabem é que eu já estou pronto para ela.
Ainda assim, algumas horas depois da reunião com o conselho, o estresse continua grudado em mim como uma sombra incômoda.
Principalmente agora, sentado no departamento de design, tentando encontrar um sopro de criatividade onde só vejo mais do mesmo.



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