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Comprada Pelo Meu Ex Bilionário romance Capítulo 41

“Ettore Bianchi”

A Milão que nos recebe parece exatamente a mesma que deixamos. Cinza. Movimentada. Como se nada tivesse acontecido na Suíça.

Exatamente como deve ser.

— Não vamos para a empresa? — Liz pergunta, reconhecendo o caminho de casa.

— Eu vou. Você pode tirar o resto do dia para descansar.

Ela vira o rosto rapidamente, me encarando como se eu tivesse acabado de dizer algum absurdo.

— Descansar? — repete, como se a palavra não fizesse sentido. — Não acha que vai parecer estranho sua esposa ficar em casa enquanto você trabalha?

— Acho que seria mais estranho irmos juntos e notarem sua cara de quem comeu algo e quer vomitar — rebato, recebendo um revirar de olhos como resposta. — Crise no casamento com menos de um mês é a última coisa que quero transmitir agora.

— Como queira, caro tutor — ela conclui, desviando o olhar para a janela.

Minha mandíbula trava no mesmo instante. “Caro tutor”. Dito com a ironia que só ela consegue destilar em duas palavras.

Como se fizesse questão de me lembrar do papel que eu deveria estar exercendo nesse jogo.

Um jogo em que, teoricamente, sou eu quem dita as regras. Mas, ultimamente, nem sei mais se estou jogando… ou sendo jogado.

Deixo Liz em casa e sigo direto para o Grupo Bianchi. Não por ter algo tão urgente que não pudesse esperar até amanhã, mas porque parece o certo a se fazer.

Um tempo para refletirmos.

Sem neve. Sem confinamento. Sem quase-momentos.

— Pensei que fosse tirar o dia para descansar.

Levanto os olhos dos relatórios e encontro Max parado na porta do meu escritório, com aquele sorriso irritante que ele usa quando acha que sabe demais.

— Tenho uma empresa para administrar — respondo, voltando a olhar os papéis. — A feira cancelada significa prejuízo. Preciso avaliar os danos.

Hum… E como foi Zurique? — ele pergunta, sentando-se à minha frente. — Especialmente depois daquela ligação que você encerrou antes de dizer que liguei num péssimo momento?

— Foi só uma expressão — retruco, mantendo o tom neutro.

— Mesmo? Porque você parecia meio… ofegante.

— Estava voltando do banho.

— Do banho? — Max solta uma risada curta. — Na mesma noite em que ficou preso num hotel com sua esposa durante uma nevasca? Que conveniente!

Respiro fundo, deixando a caneta cair sobre a mesa.

Max tem o talento irritante de farejar drama emocional antes mesmo que eu admita que ele existe.

— O que exatamente você quer saber, Max?

— O que aconteceu em Zurique, obviamente — ele responde, inclinando-se para frente com aquele olhar de predador que sente o cheiro de uma presa ferida. — E não me venha com “nada aconteceu”, porque você está diferente.

— Diferente como?

— Você aqui, para começar. Sua agenda só começa amanhã, não?

Mantenho o silêncio por um tempo, ponderando quanto posso falar sem dar munição para que Max transforme isso numa grande coisa.

Porque não é.

— Quero dizer que esse seu plano de vingança nunca foi sobre fazer Liz sofrer — ele diz, devagar. — Foi sobre tê-la de volta.

— Isso é ridículo.

— É? — pergunta, inclinando a cabeça. — Então, por que, entre todas as formas possíveis de se vingar, você escolheu justamente a que a traria para sua casa, para sua cama, para sua vida? Por que não escolheu só destruir a empresa do pai dela?

Observo-o em silêncio, incapaz de rebater ou justificar. Ele está certo. Eu poderia ter feito só isso. Mas algo em mim exigia mais.

Exigia mostrar a Liz que eu — somente eu — poderia dar a ela o que ela disse que outro teria. Que eu deveria fazê-la sofrer exatamente como sofri.

— Ao menos você foi sincero, Ettore — ele continua, levantando-se. — Você realmente nunca a odiou. Você odeia o fato de nunca ter conseguido odiá-la.

Sem esperar por uma resposta, Max sai da minha sala, me deixando sozinho com o peso de suas palavras.

A clareza com que ele consegue me compreender, talvez até melhor do que eu mesmo… me assusta.

Talvez eu nunca tenha odiado Liz.

Porque o ódio seria mais simples.

Seria limpo. Definitivo.

Mas ela nunca me deu o luxo da simplicidade.

E o que eu odeio, de verdade, é isso: como ela me faz sentir.

Como ela me desarma.

Como, mesmo depois de tudo, eu ainda não consigo odiá-la por completo.

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