Entrar Via

Comprada Pelo Meu Ex Bilionário romance Capítulo 41

“Liz Bianchi”

Observo meu reflexo no espelho do elevador enquanto subo para o andar do design.

As olheiras voltaram a dar o ar da graça depois da viagem. Pequeno preço por noites em claro, revirando cada segundo em Zurique.

A lembrança ainda queima. O beijo, os toques, o quase. E, claro, a volta à realidade — fria, seca e desconfortavelmente parecida com antes… ou quase isso.

— Pelo amor de Deus, Liz — murmuro, encarando meu reflexo. — Para de pensar nisso.

As portas do elevador se abrem e respiro fundo.

Um passo para fora e pronto: ativa o modo “Liz Bianchi, designer de sucesso”. Porque “Liz, a idiota apaixonada pelo homem que supostamente a odeia” precisa ficar trancada no armário.

Quando chego na minha sala, Giulia está sentada em uma das cadeiras, tomando café e folheando uma revista.

— Bom dia, bela adormecida! — ela exclama, fechando a revista. — Achei que não vinha mais.

— Bom dia, amiga — respondo, largando a bolsa em cima da mesa. — Acabei dormindo demais. Nem ouvi o despertador.

Ela estreita os olhos, analisando meu rosto enquanto me sento, fingindo normalidade.

Por mais que eu tente disfarçar, Giulia me conhece o bastante para saber que tem algo errado.

— Aconteceu alguma coisa nessa viagem, não é? — ela finalmente pergunta. — Sabia que não devia ter te incentivado a “aproveitar a situação”.

— Não começa. Você não me incentivou a nada — rebato. — Dois ex-namorados presos num quarto de hotel sem ter para onde fugir? Era óbvio que ia dar errado em algum momento.

— Então começa a contar exatamente o que rolou. AGORA!

Solto um suspiro pesado antes de começar a falar. Conto sobre a nevasca, o beijo, até onde fomos…

— No fim, acho que fiz bem em parar — concluo. — Ele se arrependeu. Teria sido ainda pior se eu tivesse me entregado de vez. Agora só me resta esquecer e seguir.

— Esquecer ou fingir que esqueceu?

— Não sei — confesso. — Só sei que isso só comprova o que eu já sabia: não posso me entregar para ele. Seria minha destruição.

— Nossa, quanto drama! — ela brinca, mas o olhar continua preocupado. — O homem te beijou, não te pediu em casamento. Ah, espera… vocês já estão casados.

— Engraçadinha. Você sabe o que eu quis dizer.

— Sei exatamente. Que você está morrendo de medo.

— Não é medo — mordo o lábio. — É pavor. Pavor de ceder e ele mudar de ideia… de novo.

— Então devolve na mesma moeda — ela sugere, com aquele sorriso de quem quer ver o circo pegar fogo. — Vire o jogo. Seja fria, indiferente… deixe ele pirar um pouquinho.

— Ser fria e distante igual ao Sr. Iceberg? Não sei se…

— Pode começar, Sra. Bianchi — ele diz, impaciente.

Respiro fundo e começo. Conforme as palavras saem, minha confiança cresce.

Quando abro os desenhos da nova coleção sobre a mesa, sinto os olhares se prenderem aos detalhes. Eles estão ouvindo. Melhor ainda: estão interessados.

— Quero que vejam como essa coleção conversa com o passado da marca, mas traz uma perspectiva nova — explico, apontando os elementos-chave. — Os cortes clássicos, reinterpretados com esse tecido tecnológico.

— Parece caro — comenta um dos designers, franzindo a testa.

— E é — confirmo, sem hesitar. — Mas o retorno é proporcional. Estamos falando de exclusividade, inovação e posicionamento no topo do mercado de luxo. É isso ou ser engolido pela concorrência.

— A Carussi tentou isso e afundou — Paolo rebate, como quem esperava a deixa. — Não precisamos cometer o mesmo erro.

— Falhou porque errou na execução — respondo, firme. — A ideia era boa. A prática? Um desastre.

Deslizo mais alguns esboços pela mesa, mostrando a evolução do conceito.

— Isso aqui é uma ponte, não uma ruptura. Estamos atualizando a identidade Bianchi, não jogando fora.

Paolo cruza os braços, com cara de quem mastigou limão estragado. Então, olha para os desenhos como se eles tivessem xingado a mãe dele.

— Atualizando… ou apagando? — solta, com um sorriso torto. — Porque, sinceramente, o que vejo aqui é uma tentativa desesperada de provar que você merece o sobrenome que carrega.

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Comprada Pelo Meu Ex Bilionário