Minha garganta seca. Na verdade, meu corpo inteiro parece reagir à provocação, ao desafio que não sei se quero vencer… ou perder.
Deveria recuar. Virar de costas e entrar no meu quarto. Seria a decisão mais sensata.
Mas sensatez nunca foi meu forte quando se trata de Ettore Bianchi.
— Você não saberia por onde começar — provoco, mordendo o lábio de propósito.
Os olhos dele escurecem com o desafio aceito. Antes que eu perceba, estou novamente pressionada contra a parede, sentindo seus lábios nos meus.
Seus dedos se entrelaçam nos meus cabelos, enquanto a outra mão explora meu corpo, me fazendo suspirar.
— Ettore… — sussurro, sentindo minha pele arrepiar quando seus lábios descem para o meu pescoço. — Vamos fazer isso aqui, no corredor?
Ele sorri contra minha pele, satisfeito com a minha rendição. No entanto, ao invés de continuar, meu marido para, se afastando ligeiramente.
— Acho que já marcamos território demais por hoje — murmura, a voz rouca.
Meus lábios se entreabrem involuntariamente, surpresa com mais um recuo. Essa é a nova modalidade de vingança? Me provocar e depois parar?
— Você está brincando, né? — pergunto, incrédula.
Ettore me encara por um momento, como se decidisse entre me agarrar novamente ou se afastar de vez. Então, balança a cabeça.
— Boa noite, Liz — murmura, me dando um beijo rápido antes de se afastar completamente.
Permaneço congelada, observando-o entrar no quarto e fechar a porta como se nada tivesse acontecido.
Como se não tivesse me deixado em chamas no meio do corredor.
Entro no meu quarto batendo a porta com mais força do que o necessário. A raiva e a frustração fervem dentro de mim enquanto tiro o vestido, jogando-o em qualquer lugar.
Sigo direto para o box, ligando o chuveiro na água fria, esperando que isso apague o calor que Ettore acendeu.
Mas cada gota que escorre pelo meu corpo só me faz lembrar do toque dele, do sabor dos seus lábios.
— Filho da mãe… — murmuro, fechando o chuveiro com força.
Termino de me enxugar e volto para o quarto, vestindo a primeira camisola que encontro antes de me jogar na cama.
Rodo para um lado, depois para o outro, e termino como uma estrela-do-mar encarando o teto… nada de sono.
Cada vez que fecho os olhos, sinto os lábios dele nos meus, as mãos na minha cintura, o calor do seu corpo…
— Droga — murmuro, olhando para o relógio. Quase duas da manhã e estou mais acordada do que nunca.
Sento na cama, passando a mão no rosto.
Talvez um vinho ajude a acalmar os nervos e, com sorte, me deixe leve ao ponto de esquecer essa frustração.
Visto o robe por cima da camisola e desço as escadas silenciosamente. A casa está mergulhada na escuridão, somente algumas luzes de segurança guiam meu caminho até a adega.
Abro a porta de vidro, acendo a luz… e paro.


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