“Liz Bianchi”
Continuo imóvel, mesmo quando Ettore dá meio passo para o lado, como se nada tivesse acontecido.
Como se não tivesse acabado de sussurrar no meu ouvido uma daquelas frases que fazem o corpo inteiro responder.
Ele sorri. Aquele maldito sorriso de canto, cheio de certeza do efeito que tem sobre mim. De que pode usar isso como arma, da forma mais cruel e excitante possível.
Dou um gole no champanhe, tentando recompor a dignidade, mas é inútil. A taça está gelada. Meu corpo, nem perto disso.
— Está tudo bem? — ele pergunta, cínico.
— Tudo ótimo — respondo, forçando a compostura. — Você não queria ir embora? Vamos?
Ele assente e, como se nada tivesse acontecido, pousa novamente a mão na minha cintura. Cruzamos o salão até encontrar Alessandro e Gabriella perto da entrada.
— Já estão indo? — Alessandro pergunta, nos observando.
— Sim, foi um longo dia — Ettore responde, abraçando o tio. — O jantar estava excelente, como sempre.
— Foi um prazer conhecê-la melhor, Liz — Gabriella diz, me abraçando. — Espero que possamos nos ver mais vezes.
— Eu também — respondo, sinceramente. — Obrigada por tudo.
Sofia se aproxima logo depois, ajeitando o xale enquanto sorri.
— Vocês não vão se livrar de mim tão cedo — avisa, abraçando Ettore com força. — Vou ficar na cidade por mais algumas semanas.
— Estaremos esperando a visita, Nonna — ele responde, beijando a cabeça dela com carinho.
Então ela se vira para mim e segura meu rosto entre as mãos enrugadas.
— Cuide desse cabeça-dura — diz, com um brilho nos olhos.
— Farei o possível — prometo, sorrindo.
Enquanto ela ainda me encara, Ettore aproveita para se despedir da mãe. E eu, honestamente, agradeço mentalmente.
Terminar a noite sem mais uma alfinetada da minha sogra é quase um presente.
Minutos depois, já estamos no carro. Ettore dirige em silêncio. Um silêncio denso, que pesa nos ombros e preenche todo o espaço.
— Foi uma noite interessante — comento, quebrando o silêncio.
— Foi mesmo — ele responde, sem desviar os olhos da estrada. — A Nonna gostou de você.
— Ela é incrível. Tão diferente da… — paro no meio da frase, percebendo que falei mais do que devia.
— Da minha mãe? — ele completa, rindo baixinho quando concordo. — Elas são como água e óleo.
Dou uma risada, sem conseguir discordar. Ficou bem claro que as duas só se toleram por pura educação. E obrigação.
— Nunca imaginei que sua avó fosse daquele jeito — admito. — Especialmente depois de conhecer Chiara.
— Achou que todos os Bianchi eram iguais? — pergunta, me olhando rapidamente.
VERIFYCAPTCHA_LABEL
Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Comprada Pelo Meu Ex Bilionário