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Comprada Pelo Meu Ex Bilionário romance Capítulo 72

“Ettore Bianchi”

“E se ela foi tão vítima quanto você?”

A pergunta de Max ecoa na minha mente desde ontem, como uma música irritante que se recusa a calar.

Por mais que eu tente focar em outra coisa, sempre acabo voltando ao mesmo ponto.

E se Liz foi forçada a fazer aquilo?

É uma possibilidade que nunca, nem por um segundo, pensei em considerar.

Durante todos esses anos, construí minha raiva, meu ressentimento, meu plano de vingança sobre uma certeza: Liz me traiu porque quis. Porque foi covarde a tal ponto.

Mas… e se não foi uma escolha?

Não consigo parar de pensar nas consequências.

Se Liz foi manipulada, coagida ou empurrada contra a parede de alguma forma… isso significaria que todos esses anos alimentando ódio foram um erro.

Que todo meu plano de vingança foi construído em cima de mentiras.

Que eu trouxe de volta para a minha vida a mulher que nunca deixei de amar… só para destruí-la por algo que talvez ela nunca tenha escolhido fazer.

Seria cruel demais. Até para mim.

O som de passos me arranca dos pensamentos. Liz entra na sala de jantar no exato momento em que Adeline serve o prato principal.

— Desculpa pelo atraso — murmura, se sentando ao meu lado. — Perdi a noção do tempo.

Observo-a discretamente enquanto ela agradece à Adeline.

Olheiras mais fundas do que ontem, cabelos presos de qualquer jeito, uma pequena mancha de tinta no dedo indicador.

Desde ontem, Liz não tem parado. Ela está se sobrecarregando. De novo.

— Como está o projeto, querida? — Sofia pergunta, cortando o filé com calma.

— Complicado — Liz responde, pegando o garfo sem muito entusiasmo. — Mas estamos avançando.

— Dois dias é pouco tempo para algo tão importante — minha avó comenta, me lançando um olhar carregado de significado. — Espero que você esteja cuidando da minha neta, Ettore.

— Estou tentando — respondo, ainda observando Liz. — Mas ela é teimosa.

— Não sou teimosa — ela rebate, revirando os olhos. — Sou focada.

— Parece a mesma coisa — Sofia e eu dizemos em coro, arrancando uma risada espontânea dela.

— Obrigada por se preocuparem — ela responde, ainda sorrindo. — Talvez eu precise dormir uns dez dias seguidos quando isso acabar, mas estou bem. Sério.

— Você sabe que, se precisar de qualquer coisa, é só me falar — digo, levando a taça de vinho à boca. — E, se quiser, posso tentar adiar a apresentação. Nem que seja por algumas horas.

— Obrigada, querido — minha mulher agradece, surpresa com minhas palavras. — Isso significa muito.

O jantar segue com conversas leves, mas minha atenção continua presa nela.

Nos pequenos gestos que denunciam seu cansaço: a forma como esfrega as têmporas, como pisca mais devagar, como o olhar se perde no vazio de vez em quando.

Quando Sofia enfim se despede e sobe para o quarto, Liz e eu permanecemos à mesa, sozinhos.

— Você devia dormir — sugiro, assim que ela termina o jantar. — Amanhã é um dia importante.

Sim, muita gente não apoiava nosso relacionamento. Mas chegar a esse ponto? Isso é outra história.

Viro para o lado direito, depois para o esquerdo, tentando achar uma posição que cale meus pensamentos. Inútil.

Ao meu lado, ouço a respiração dela, regular. Quando penso que dormiu, o colchão se move, quase imperceptível.

Ela se levanta com cuidado, tentando não me acordar, e sai do quarto em silêncio.

Metade de mim tenta acreditar que ela só desceu para comer alguma coisa. Que logo volta.

A outra metade conta cada minuto desde que ela saiu, me empurrando para levantar e ver se está tudo bem.

Vinte minutos depois, perco a batalha.

Caminho pelo corredor meio escuro, desço as escadas e logo vejo a luz do meu escritório acesa.

Me aproximo devagar. Liz está sentada no sofá de couro, pernas cruzadas, cercada por papéis, tecidos e lápis.

Observo por um instante… e sou jogado de volta no tempo.

Quantas noites foram assim, na época da universidade?

Liz no meu apartamento, cabelo preso de qualquer jeito, cercada por rascunhos e amostras, enquanto eu inventava de fazer café só para ter uma desculpa para ficar perto dela.

— Vai continuar me espionando, marido? — ela pergunta, sem nem olhar para mim.

Por um segundo, não respondo. Só me encosto na porta, em silêncio, fingindo que ainda tenho controle de alguma coisa.

Mas quando entro no escritório, percebo que, com ela, nunca tive controle nenhum.

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