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Comprada Pelo Meu Ex Bilionário romance Capítulo 73

“Liz Bianchi”

A pergunta sai com mais naturalidade do que eu esperava, mas é impossível não provocá-lo quando ele age como fazia anos atrás.

Quando me observava de longe e eu fingia que não notava, mesmo reconhecendo seu perfume de longe. Sua presença.

Finalmente, viro o rosto para encará-lo. Ele hesita na porta, como se não soubesse se devia entrar ou se desculpar e voltar para o quarto.

— Não conseguia dormir — ele diz, por fim, entrando. — E você?

— Minha cabeça não para — admito. — Fico pensando em mil detalhes que podem dar errado amanhã.

— Você devia descansar — comenta, depois aponta para o sofá. — Posso?

Assinto, recolhendo alguns papéis para dar espaço.

— Como está indo? — pergunta, pegando um dos esboços enquanto se senta.

— Melhor do que eu esperava. Paolo tem sido… surpreendentemente colaborativo.

— Paolo? — ele ergue uma sobrancelha, visivelmente surpreso.

— Também fiquei chocada — admito, rindo baixo. — Mas ele conhece fornecedores que eu nem sabia que existiam. E tem um olho técnico que… bem, que eu subestimei.

— Você sempre soube ver o potencial das pessoas — comenta, colocando o desenho de volta no lugar. — Mesmo quando elas não merecem.

— Nem todos são totalmente ruins — digo, pegando um dos tecidos. — Esse aqui foi ele quem escolheu. É exatamente o que imaginei, mas com um terço do tempo de produção.

— Inteligente — murmura, tocando o tecido com os dedos.

Por alguns minutos, ficamos assim. Ele observa enquanto explico cada peça, cada escolha. E, de vez em quando, me pego sorrindo sem perceber.

Algumas coisas nunca mudam. Ettore fazia exatamente isso nas noites em Borgonha. Fingindo entender tudo só para poder ficar comigo.

Então, sem qualquer aviso, ele segura meus pés descalços e os coloca no colo.

— O que você está fazendo? — pergunto, surpresa, tentando puxá-los de volta.

— Relaxa — ele diz, começando a massagear a sola do meu pé direito com os polegares.

Um gemido involuntário escapa dos meus lábios. Eu nem havia percebido o quanto precisava disso até sentir o alívio das mãos dele.

— Você passou o dia inteiro em pé — diz ele, como se fosse a coisa mais óbvia do mundo. — E aposto que estava usando algum salto que você odeia.

— Como você sabe que eu…

— Porque te conheço — ele me interrompe, pegando o pé esquerdo. — Você sempre usa saltos enormes quando está nervosa. Acha que isso te dá mais autoridade.

Fico em silêncio, surpresa não só com o gesto, mas com o fato de ele ainda lembrar desses detalhes íntimos sobre mim.

As mãos dele continuam massageando exatamente os pontos certos, me fazendo fechar os olhos.

— Isso é… — começo, mas as palavras se perdem num suspiro.

— Bom? — ele pergunta, e posso ouvir o sorriso na voz dele.

— E perigoso.

— Por quê?

— Hmm? — ele responde, os olhos descendo para os meus lábios.

— Posso te beijar? — As palavras escapam antes que eu consiga pensar.

Ele sorri, assentindo, e elimina a distância entre nós com um beijo.

Minhas mãos envolvem seu pescoço naturalmente, e ele me puxa para mais perto. O beijo é calmo, doce, carregado de uma ternura que me faz tremer.

Quando nos separamos, estamos ofegantes. Ettore apoia a testa na minha, os olhos ainda fechados.

— Vem — sussurra, me pegando no colo com facilidade. — Você precisa dormir, piccola.

Sorrio com o apelido e com o cuidado. Estou cansada demais para protestar.

Apoio a cabeça em seu peito enquanto ele sobe as escadas devagar, como se me carregar fosse a coisa mais natural do mundo.

Quando chegamos ao quarto, ele me deita com delicadeza, puxando a coberta sobre mim. Depois, contorna a cama e se deita do lado dele.

O observo por um instante, então deixo de lado qualquer vergonha e me arrasto até ele. Ele franze as sobrancelhas, mas não me afasta.

Me encaixo em seu peito como se fosse o meu lugar — e talvez sempre tenha sido.

Seus dedos se perdem nos meus cabelos, acariciando os fios devagar.

— Durma, piccola — ele sussurra contra meus cabelos. — Amanhã você vai arrasar.

Fecho os olhos, permitindo que o cansaço finalmente me vença.

Permitindo me sentir protegida nos braços do único homem que, apesar de tudo, sempre soube como me acalmar.

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