“Liz Bianchi”
A mesa explode em risadas com o brinde de Ettore, enquanto Max finge estar ofendido e Giulia mal esconde a satisfação pelo golpe certeiro.
— Muito engraçado — Max resmunga, mas o sorriso no rosto entrega que não está tão bravo.
— Eu achei — Giulia responde, dando de ombros, como se não tivesse acabado de massacrar o ego masculino do advogado.
É estranho ver os dois assim.
Da última vez que os vi juntos, pareciam dois gatos prestes a se arranhar. Agora, Max parece… interessado em manter a paz.
Giulia, por outro lado, continua a mesma: afiada, impaciente e claramente mantendo qualquer tentativa de aproximação a quilômetros de distância.
Uma dúvida surge na minha cabeça. No meio do caos que começou meu casamento, nunca parei para perguntar por que esses dois se odeiam tanto.
— Giu — chamo baixinho, aproveitando que os homens estão distraídos. — Posso falar com você um segundo?
Ela assente e nos afastamos até perto do bar, longe o bastante para conversar sem sermos ouvidas.
— O que está rolando ali? — pergunto, inclinando levemente a cabeça em direção à mesa.
— Como assim? — ela franze a testa, confusa.
— Max está… diferente com você.
— Ah, isso — ela revira os olhos. — Resolveu mudar de estratégia, aparentemente. Agora finge que minhas provocações são engraçadas, em vez de irritantes.
— Sabe, nunca te perguntei por que vocês se odeiam.
Giulia suspira e se apoia no balcão.
— Lembra daquele contrato ridículo de confidencialidade sobre seu casamento? — ela pergunta, e eu assinto. — Ele tentou pintar seu marido como a vítima e você como… a vilã. Não foi nada gentil com sua reputação.
Sinto o estômago revirar. Pela forma como Max me olhou quando me viu pela primeira vez, já imagino o que ele deve ter dito sobre mim naquela época.
— E você não deixou barato, né? — pergunto, conhecendo bem minha amiga.
— Claro que não — ela sorri, vitoriosa. — Nunca ia deixar você sair como o patinho feio da história. Ainda mais sem ter culpa de nada.
— Ah — murmuro, finalmente entendendo. — Então vocês já começaram brigando.
— Exato. E desde então, toda vez que a gente se encontra, é guerra declarada. Só que agora ele parece estar se divertindo com isso.
Olho em direção à mesa, onde Max observa discretamente nossa conversa com um sorriso no canto dos lábios.
Quando nossos olhares se cruzam, ele ergue o copo em nossa direção, como se brindasse.
— Definitivamente diferente — murmuro.
Antes que Giulia possa responder, sinto os braços familiares se fecharem ao redor da minha cintura.
O perfume de Ettore me envolve, e relaxo automaticamente contra seu peito.
— Sobre o que estão falando? — ele pergunta, beijando de leve minha têmpora.
— Sobre como seu amigo está agindo de forma estranha com a Giulia — respondo, me virando em seus braços para encará-lo.
Ettore lança um olhar breve para Max, depois volta a atenção para mim, com uma intensidade que faz meu rosto corar.
— Quer dançar? — pergunta, ignorando completamente o assunto.

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