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Comprada Pelo Meu Ex Bilionário romance Capítulo 82

“Ettore Bianchi”

Liz solta a pergunta e finalmente vira o rosto para me encarar, como se a resposta estivesse escrita na minha testa.

Fico em silêncio por um momento, observando seu rosto corado, os lábios vermelhos. Seus olhos verdes me encaram com uma intensidade que me desarma.

Passo a mão pelos cabelos, tentando organizar os pensamentos.

“O que está mudando entre nós?”

Tudo.

A resposta surge rápida, clara como cristal.

Tudo está mudando.

Desde as certezas que construí até como meu corpo reage quando ela está por perto.

Desde o gosto amargo da vingança — agora diluído em algo muito mais confuso — até essa necessidade quase desesperada de protegê-la.

A raiva que me mantinha de pé está se transformando.

Em desejo. Em esperança. Em uma vontade patética de acreditar que ainda podemos ter uma chance.

Mas com a esperança vem o medo. O medo de confiar de novo. O medo de me foder de novo.

E uma voz lá no fundo me lembra: estamos em trégua, sim. Mas isso não significa se entregar irracionalmente.

— Algo está mudando — admito, finalmente. — Mas ainda é cedo para certezas.

Vejo a mudança sutil no rosto dela. Uma sombra nos olhos, como se minhas palavras tivessem machucado mais do que deveriam.

Merda. Não era isso que eu queria.

Sem querer estragar tudo, me inclino até os lábios dela.

— Da última vez que isso aconteceu — sussurro contra sua boca —, você pediu para fingirmos que nada existia além daquela noite. Hoje é minha vez de pedir isso.

Ela me observa por um longo momento, como se tentasse decifrar o que realmente estou dizendo. Então, lentamente, assente.

— Tudo bem — murmura, encerrando nossa conversa com um beijo suave. — Só por hoje.

Para acabar de vez com o peso da conversa, ela se afasta e sorri com aquela malícia que conheço tão bem.

— Que tal um banho? — sugere, já se levantando. — Estamos um pouco… sujos.

Sigo-a até o banheiro, observando enquanto ela enche a banheira com água quente.

Quando finalmente entramos, ela se acomoda entre minhas pernas, as costas apoiadas no meu peito.

— Esse dia foi longo — murmura, fechando os olhos.

— Mas terminou bem — respondo, beijando seu pescoço. — Você foi incrível hoje, piccola.

— Obrigada — sussurra, relaxando contra meu corpo. — Por confiar em mim.

Ficamos em silêncio por alguns minutos, trocando carinhos sob a água morna. Beijo seu pescoço, ela arranha minhas coxas. Gemidos baixos. Toques lentos.

Uma intimidade que vai além do físico.

Mas logo o cansaço dos últimos dias cobra seu preço. Sinto o corpo de Liz relaxar completamente contra o meu, a respiração ficando mais lenta e profunda.

— Piccola — chamo baixinho, beijando seus cabelos. — Você está dormindo?

— Só descansando os olhos — ela murmura, mas a voz arrastada a entrega.

— Vamos para a cama antes que você se afogue na banheira.

— Muito bem — diz, se espreguiçando. — E você?

— Melhor do que em muito tempo.

Ela sorri, satisfeita com a resposta, e se inclina para me dar um beijo. Suave, carinhoso, sem pressa.

Quando nos separamos, ficamos nos encarando por um instante. Há algo diferente entre nós hoje. Como se tivéssemos atravessado uma barreira invisível na noite passada.

— Deveríamos descer — digo, relutante. — Minha avó provavelmente já está esperando por nós.

— Cinco minutos — ela pede, se aconchegando de novo contra mim.

— Cinco minutos — concordo, passando os dedos pelos cabelos dela.

E ficamos assim, aproveitando esses momentos roubados de tranquilidade antes que o mundo real nos alcance.

Quando finalmente descemos para o café da manhã, encontramos Sofia já sentada à mesa. Ela nos encara com uma expressão satisfeita.

— Bom dia, crianças — cumprimenta, com um sorriso que não esconde absolutamente nada. — Vocês dois parecem mais… relaxados hoje.

— Dormimos bem — Liz responde, tentando esconder o sorriso enquanto morde a torrada.

— Imagino — Sofia rebate, sorrindo ainda mais. — A propósito, o quarto ao lado do de vocês tem péssimo isolamento acústico.

— Nonna! — protesto, sentindo meu rosto esquentar.

— O quê? Só estou dizendo que é um alívio ver que o casamento está indo bem — ela dá de ombros, completamente sem vergonha. — Já estava começando a considerar que meu neto tivesse algum… probleminha ali embaixo.

Liz engasga com o café, e preciso bater em suas costas enquanto ela tosse, o rosto vermelho como um tomate.

Sofia sorri, claramente satisfeita com o caos que causou, e volta tranquilamente ao seu café da manhã.

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