“Max Whitmore”
O Bulgari Hotel está impecável esta noite. Luzes baixas, ambiente acolhedor e uma carta de vinhos que faria qualquer sommelier babar.
Exatamente o que preciso para impressionar uma mulher que, claramente, preferiria estar em qualquer outro lugar do mundo.
Giulia chega pontualmente às sete, usando um vestido azul-marinho que a faz parecer ainda mais intimidadora do que o normal.
Se é que isso é possível.
— Boa noite — ela diz, com a graciosidade de uma rainha, concedendo a honra da própria presença.
— Você está linda — comento, me levantando para puxar a cadeira.
— Eu sei — responde com aquela arrogância natural que, irritantemente, só a torna mais atraente. — E você está surpreendentemente elegante.
— Obrigado… acho.
— Não foi um elogio, Max.
Sorrio, pedindo paciência aos céus. Conquistar essa diabinha ruiva vai ser mais difícil do que aprender italiano com um professor francês.
Enquanto ela examina a carta de vinhos, me pego observando os detalhes.
O cabelo preso com um descuido calculado, a maquiagem leve tentando, sem sucesso, suavizar o olhar afiado… E o vestido.
Ah, o vestido. Elegante e absolutamente letal. Como ela.
Fazemos os pedidos em silêncio. É só quando o sommelier serve um Barolo 2015 que ela finalmente relaxa um pouco.
— Meu Deus — sussurra depois do primeiro gole. — Isso é… incrível.
— Descobri essa safra numa viagem — comento, girando o vinho na taça. — O dono da vinícola guardava algumas garrafas só para ocasiões especiais.
— E essa é uma ocasião especial? — pergunta, arqueando uma sobrancelha.
— Jantar civilizadamente com uma mulher que me odeia? — sorrio. — Definitivamente especial.
Para minha surpresa, ela ri. Uma risada baixa, relutante, mas genuína.
— Eu não te odeio mais — admite, mexendo no risotto. — Mas você continua… irritantemente arrogante.
— Confiante — corrijo. — Há uma diferença.
— Claro que há — ela revira os olhos. — Todos os homens arrogantes dizem isso.
— E todas as mulheres inteligentes sabem distinguir.
Isso arranca outro sorriso dela, e sinto como se tivesse acabado de vencer uma pequena batalha.
— Então — digo, apoiando os cotovelos na mesa —, me conte sobre Giulia Romano. Além do fato de ser a melhor amiga da Liz e ter uma língua afiada o suficiente para cortar diamantes.
— Não há muito para contar — ela dá de ombros. — Nasci em Nápoles, me mudei para Milão aos oito anos, conheci a Liz logo depois… e aqui estamos.
— Muito resumido para uma vida, não acha?
— E você? — ela muda de assunto, claramente sem vontade de se aprofundar. — Oxford, advogado, melhor amigo do CEO… Como um inglês veio parar na Itália?
— Conheci Ettore em Oxford. Ele me fez uma proposta irrecusável de sociedade quando precisou voltar... — respondo, tomando um gole de vinho. — E cá estou: morando em Milão, falando um italiano quase perfeito.
— Seu italiano é terrível! — ela exclama, sorrindo. — Mas pelo menos você não entende quando falo mal de você com a Liz.
— E se, dessa vez, for diferente?
— Como posso saber? — ela rebate. — Como qualquer um de nós pode ter certeza de que o Ettore não vai simplesmente se cansar de ser gentil e voltar a querer se vingar?
— Porque conheço o Ettore há alguns anos — respondo. — E sei que ele nunca parou de amá-la.
— Você realmente acredita nisso?
— Acredito — afirmo, sem hesitar. — A questão é se ele vai conseguir superar o que aconteceu e admitir que quer tentar novamente.
Ela suspira, voltando a mexer na comida, mas sem real interesse.
— É complicado, Max. Muito mais complicado do que todo mundo imagina.
— Pelo que aconteceu há três anos?
— Entre outras coisas.
Decido arriscar. É agora ou nunca.
— Falando nisso — digo, num tom casual —, hoje tivemos uma reunião com um cara que deixou o Ettore bem tenso. Aparentemente era o mesmo cara com quem a Liz… bem, você entende. Acho que o nome era Roberto Mancini, ou algo assim.
Giulia para de mastigar, me encarando com uma expressão confusa.
— Roberto? — repete, franzindo a testa. — Não… o homem que o Ettore viu com a Liz se chamava Riccardo Martinelli, acho.
— Riccardo Martinelli — repito, gravando o nome na memória.
— Sim. Mas ele e a Liz nunca… — ela para abruptamente, como se tivesse acabado de perceber o que disse. A cor some do rosto. — Merda.

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