Meu coração acelera. Consegui um nome. E a reação dela só confirma haver muito mais nessa história.
— Esquece o que eu disse — ela fala, já se levantando da cadeira. — Preciso ir.
— Giulia, espera — digo, segurando seu pulso com gentileza. — Por favor, fica.
— Não posso — Giulia balança a cabeça, evitando meu olhar. — Falei demais. Sempre falo demais quando bebo.
— Você mal tocou no vinho — aponto, tentando aliviar o clima. — Prometo que não vou contar para ninguém.
— Você não entende — sussurra, finalmente me encarando. — Há coisas que… Meu Deus, a Liz vai me matar se souber que falei disso.
A vulnerabilidade na voz dela me desarma completamente. Não é mais a Giulia sarcástica e intimidadora que conheço.
É uma mulher assustada, protegendo desesperadamente a amiga.
— Então não falamos mais sobre isso — digo, estendendo a mão. — Fica. Por favor. O que você disse fica entre nós.
Ela me encara por um longo momento, claramente dividida entre fugir e ficar.
— Você promete? — pergunta, por fim.
— Prometo — minto, me odiando por isso. — Agora, senta, por favor. Ainda nem provamos a sobremesa, e o chef aqui faz um tiramisù que é praticamente um pecado.
Giulia hesita, olha para a mesa, depois para mim.
— Se eu ficar — diz, devagar —, você promete que não vai tentar me fazer falar sobre eles?
— Prometo — respondo. E, dessa vez, não estou mentindo.
Ela suspira e se senta de novo, mas a tensão ainda paira no ar.
— Tudo bem — murmura. — Mas eu escolho o assunto da conversa a partir de agora.
— Feito — concordo, acenando para o garçom. — Dois tiramisù, por favor.
— Você realmente acha que sobremesa vai resolver essa situação? — Giulia revira os olhos, mas não consegue esconder um pequeno sorriso.
— Não vai resolver, mas vai deixar tudo mais doce.
Dessa vez, ela ri de verdade, e sinto como se tivesse ganhado um presente.
— Essa foi horrível — diz, balançando a cabeça.
— Mas funcionou — dou de ombros, sorrindo. — Você riu.
— Infelizmente, tenho um ponto fraco por trocadilhos ruins — ela admite, tomando um gole de vinho.
— Vou anotar isso para o próximo jantar.
— Quem disse que teremos outro jantar? — ela arqueia uma sobrancelha.
— Esperança otimista — respondo. E percebo que é verdade.
O tiramisù chega, e conseguimos retomar uma conversa mais leve.
Giulia me conta sobre a infância em Nápoles, sobre como a mãe a ensinou a costurar, e o sonho de abrir um ateliê próprio um dia.
Falo sobre Londres, sobre a dificuldade de me adaptar ao ritmo de Milão, e confesso minha paixão secreta por cozinhar — coisa que ela claramente duvida.
Quando saímos do restaurante, já passa das onze da noite.
— Vou te levar para casa — digo, apontando para meu carro.
— Não precisa, Max. Posso pegar um táxi.
— Giulia, é quase meia-noite — insisto. — E você está usando saltos que parecem armas brancas.
Nossos lábios estão a centímetros de distância quando ela coloca a mão no meu peito, me impedindo de ir além.
— Max — ela diz, mas sua voz não tem convicção.
— Diz que não — murmuro. — Diz que não quer isso, e eu vou embora.
Ela me encara por um longo momento. Uma batalha silenciosa se trava em seus olhos.
E então, surpreendentemente, é ela quem elimina a distância entre nós.
Giulia me beija como quem teme se arrepender — e ainda assim, beija. E eu correspondo como se esse momento fosse tudo o que importa.
Quando nos afastamos, estamos ofegantes.
— Isso não deveria ter acontecido — sussurra, sem abrir os olhos.
— Mas aconteceu — respondo, a voz rouca.
Ela respira fundo e dá um passo para trás.
— Boa noite, Max — diz, com um pequeno sorriso triste, antes de se virar e entrar no prédio.
— Boa noite, Giulia.
A observo até desaparecer de vista. Só então percebo que estou sorrindo como um adolescente depois do primeiro beijo.
Entro no carro, mas minha mente não consegue se afastar da sensação dos lábios dela nos meus.
E da informação que consegui, quase por acaso.
Mas uma parte de mim, uma parte que começa a incomodar, torce para que essa informação não destrua a chance que acabei de ter com Giulia.

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