“Giulia Romano”
Desde que acordei, uma sensação estranha se alojou no meu estômago, como se algo estivesse muito errado.
Talvez seja por não ter recebido as mensagens da Liz de manhã. Temos um acordo que já dura anos: se uma estiver surtando, a outra precisa estar por dentro.
Então, as mensagens meio dramáticas dela viraram quase um “bom dia” depois que minha amiga se casou com o CEO vingativo. Mas hoje… nada. Nem um “socorro, amiga”, nem meme, nem crise.
— Só pode ser isso — murmuro, saindo do carro depois de estacionar na empresa. — Não tem nada a ver com aquele advogadozinho arrogante.
Impossível que essa sensação ruim tenha a ver com Max Whitmore.
Me recuso a acreditar que minha cabeça tenha pirado só por causa daquele beijo. Um beijo que me fez parecer adolescente de novo, toda impulsiva.
Chego na sala da Liz e a encontro sentada, mas não está realmente trabalhando.
Só está encarando alguns desenhos como se ali estivesse a cura da peste.
— Bom dia, amiga — digo, fechando a porta. — Você parece um caco.
— Obrigada pela sinceridade — ela responde, tentando esboçar um sorriso torto.
— O que houve? — sento na beirada da mesa. — Não me diga que aquele idiota voltou a…
— Não — ela me interrompe, balançando a cabeça. — Na verdade, é o contrário.
— Como assim? — franzindo a testa, confusa. — Você está assim porque vocês não brigaram?
Liz suspira fundo e me encara.
— Te falei que o Ettore está… diferente, né? Mais gentil, mais atencioso. Parece que algo mudou na cabeça dele.
— Sim, você falou. Mas… por que isso é ruim?
— Não estou dizendo que é ruim, Giu — ela diz, esfregando as têmporas. — Só que, quando ele começou a agir assim, achei que fosse só o sentimento falando mais alto.
— E agora?
— Agora acho que ele… está investigando o que aconteceu. Não sei — minha amiga morde o lábio, sempre sinal de nervoso. — Ontem à noite, ele me perguntou sobre… o homem que estava comigo naquele jardim.
Sinto meu coração acelerar, mas mantenho a expressão neutra. Que seja coincidência. Tem que ser coincidência.
— O homem que Victor…? — sussurro, torcendo para não ter ouvido errado.
— Riccardo Martinelli — ela continua, sem notar meus olhos arregalados. — Não tem como ele ter descoberto esse nome sem investigar, Giu. Além do Victor, só eu e você sabíamos disso. Então, quando Ettore viu minha reação, em vez de surtar, ele…
Liz fala sobre como o Sr. Vingativo agiu, mas as palavras dela se perdem antes de chegar até mim.
Eu sei exatamente como Ettore descobriu, e um gosto amargo sobe na minha garganta. Não. Não, não, não. Isso não pode estar acontecendo.
— Giu? — Liz chama, finalmente percebendo minha expressão. — Você está bem? O que foi?
Me levanto num pulo, passando as mãos pelos cabelos, tentando pensar. O jantar. Aquele maldito jantar com Max.
— Ele me manipulou — murmuro, quase para mim mesma.

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