“Liz Bianchi”
Meu mundo para.
Literalmente, para.
O nome ecoa na minha mente como um grito abafado, me arrastando de volta para aquele dia terrível, três anos atrás.
O dia em que tudo desmoronou.
Como Ettore descobriu esse nome? Como ele…?
Meu Deus… O que mais ele sabe?
Sinto as pernas fraquejarem. Preciso me apoiar na mesa para não cair. O ar parece sumir da sala e minha respiração fica curta, irregular.
— Liz? — a voz dele soa distante, como se viesse debaixo d’água. — Você está bem?
Não consigo responder. Não consigo formar uma única palavra.
Só consigo encará-lo, paralisada, com o pânico crescendo dentro de mim como um incêndio fora de controle.
Se ele descobriu…
Se Chiara conseguir convencê-lo de que não teve nada a ver com aquilo…
— Senta — diz, puxando uma cadeira para mim. — Você ficou pálida.
— Eu… — minha voz sai trêmula, quase imperceptível. — Como você…?
— Conhece esse homem? — ele completa, agora agachado na minha frente.
Assinto devagar, sem conseguir dizer mais nada. Meu coração b**e tão alto que parece preencher a sala.
Ele me observa em silêncio por alguns segundos. Seus olhos azuis não mostram raiva. Nem acusação.
É… curiosidade. Uma calma inesperada.
— Liz — ele diz, a voz mais suave do que ouvi em muito tempo — você pode me contar sobre ele?
Balanço a cabeça na mesma hora, o pânico voltando com força total.
— Não… eu não posso… — sussurro, as palavras saindo fragmentadas. — Ettore, por favor… não me faça falar sobre isso.
— Por quê? — pergunta sem pressionar, sem levantar o tom. — O que realmente aconteceu entre vocês?
— Não… consigo… — murmuro, sentindo as lágrimas arderem nos olhos. — Se você não entender… Não posso… minha mãe não pode…
— Ok — ele corta, com uma calma que me desarma. — Ok. Não precisa falar sobre isso.
— Não preciso? — pergunto, confusa, franzindo o cenho.
— Não — ele confirma, pegando minhas mãos trêmulas nas dele. — Mas posso te fazer uma pergunta diferente?
Hesito, mas aceno com a cabeça.
— Você o amava? Gostava dele?
— O quê? — sussurro, confusa.
— Riccardo Martinelli — ele repete, mantendo o tom calmo. — Você estava apaixonada por ele?
A pergunta me pega de surpresa. Apaixonada? Como alguém se apaixona por um homem que mal conheceu? Que só viu duas vezes?
— Não! — a resposta explode da minha boca, automática, quase em tom de desespero. — Não, eu nunca… jamais…
Paro abruptamente, percebendo que falei mais do que devia. Mas Ettore não parece surpreso. Na verdade… parece aliviado?
— Você nunca o amou — ele repete, mais para si do que para mim.

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