“Liz Bianchi”
Quando chegamos à minha sala, Giulia se j**a na cadeira como se tivesse corrido uma maratona.
Fecho a porta e me encosto nela, observando minha amiga tentar recuperar o fôlego.
— Ok… — começo, depois de alguns segundos de silêncio. — Quer me explicar o que aconteceu?
— Fui eu, Liz… — ela sussurra, cobrindo o rosto com as mãos. — Fui eu que falei o nome daquele homem.
Me aproximo devagar, me sentando na borda da mesa enquanto ela continua.
— Ontem à noite, no jantar — diz, ainda com as mãos no rosto — aquele… idiota me fez uma pergunta sobre você e o Ettore. Depois comentou que eles tiveram uma reunião com alguém, jogou um nome falso…
— E você corrigiu — completo, já entendendo o desastre.
— Automaticamente — ela geme, finalmente me encarando. — Como uma completa idiota. Ele disse Roberto Mancini, e eu, sem nem pensar, corrigi dizendo que o nome certo. Sem filtrar. Sem me perguntar por que ele estava dizendo aquilo.
— Giu…
— Sou uma imbecil! — explode, levantando num pulo. — Como pude ser tão ingênua? Tão… estúpida? Ele me manipulou direitinho, e eu caí! Como uma patinha!
Vejo as lágrimas se formando nos olhos dela, e meu coração aperta. Giulia raramente chora. Quando acontece, é porque alguma coisa a feriu de verdade.
— Você não é imbecil — digo, me inclinando para acariciar seu braço. — Você confiou em alguém. Isso não te faz burra, te faz humana.
— Faz, sim! — rebate, passando as mãos pelos cabelos. — Principalmente depois de tudo o que falei sobre ele. Sobre o Max Whitmore ser o tipo de homem em quem não se deve confiar… E aí, o que eu faço? Entrego exatamente o que ele queria!
Fico em silêncio por um momento, observando ela andar de um lado para outro como um furacão emocional prestes a causar uma catástrofe de categoria cinco.
— Giulia — chamo, num tom mais calmo. — Você se arrepende?
— Claro que me arrependo! — responde na hora. — Como não me arrepender de ter…
— Não — interrompo, erguendo uma mão. — Eu quis dizer… você se arrepende de ter gostado dele?
A pergunta a para no meio da sala. Ela me encara e vejo a luta interna estampada no rosto.
— Eu… — começa, mas a voz falha. — Claro que me arrependo.
— Mentira.
— Liz…
— Você está assim justamente porque tudo aconteceu de um jeito que não esperava — digo, me levantando. — Se fosse só raiva por ser enganada, você teria dado um tapa e seguido em frente. Mas você está devastada porque confiou… e sentiu algo real.
— E se eu senti? — sussurra, voltando a se sentar. — O que isso muda? Ele me usou, Liz. Como perdoo isso?
— Não sei se dá para perdoar — admito. — Mas sei que você não consegue fingir que não sentiu nada. E talvez… ele esteja realmente arrependido.
— Você acha mesmo?
— Espero que sim — respondo, sinceramente. — Porque, querendo ou não, o Max é importante para o Ettore. E você é importante para mim.
— Como você consegue estar tão… calma? — pergunta, incrédula.
— Porque sei que você nunca faria nada para me machucar de propósito — respondo sem nem pensar. — Talvez, seja melhor que Ettore…

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