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Comprada Pelo Meu Ex Bilionário romance Capítulo 91

O resto do dia passa como um borrão. Tento me concentrar nos projetos pendentes, nas amostras de tecido que precisam ser aprovadas…

Mas é inútil.

Minha mente insiste em voltar sempre para os últimos acontecimentos. E, principalmente, para essa sensação sufocante de estar no meio de uma encruzilhada.

Uma decisão que pode mudar tudo.

Três meses no Japão. Uma oportunidade única na carreira. Mas também três meses longe do Ettore. Longe da chance de, enfim, acertar as coisas entre nós.

Às seis da tarde, desisto de fingir que estou sendo produtiva e começo a juntar minhas coisas.

Ettore mandou mensagem mais cedo dizendo que precisaria ficar até mais tarde no escritório. Reuniões urgentes que não podiam ser adiadas.

Dirijo para casa no piloto automático, ainda com a cabeça longe.

Assim que entro na mansão, escuto vozes vindo da sala de estar. Reconheço na hora a risada calorosa da Sofia e a voz tranquila da Adeline.

— Boa noite — digo, aparecendo na porta da sala.

— Oi, querida! — ela me cumprimenta com aquele sorriso quente de sempre. — Como foi seu dia?

— Interessante — respondo, largando a bolsa no sofá e me sentando ao lado dela. — E o seu?

— Produtivo — diz, fazendo um gesto sutil para Adeline, que logo se retira. — Passei o dia organizando minhas coisas. Vou embora amanhã de manhã.

— Tão cedo? — pergunto, chateada. — Pode ficar o tempo que quiser, Nonna. Esta casa também é sua.

— Eu sei, querida — ela diz, tocando minha mão com carinho. — Mas minha missão aqui está concluída. Não há motivos para eu continuar.

— Missão?

Sofia ri baixinho, aquele risinho travesso que já aprendi a reconhecer.

— Você achou mesmo que vim só para uma visita social? — pergunta, arqueando uma sobrancelha. — Liz, meu bem, tenho setenta e oito anos. Não saio da minha casa sem um bom motivo.

Fico em silêncio, esperando que ela continue.

— No jantar na casa do Alessandro, percebi que vocês dois estavam… representando — ela diz, com calma. — Que esse casamento era só um acordo de negócios.

Sinto meu rosto esquentar, mas não nego. Não adiantaria.

— Mas depois que ouvi a verdadeira história de vocês… — ela continua, apertando minha mão com carinho — vi dois jovens que ainda se amavam. Só precisavam de um empurrãozinho.

— Um empurrãozinho?

— Por que acha que escolhi o quarto ao lado, Liz? — pergunta, sorrindo sem culpa. — Precisei confiar na minha intuição. E percebi que estava certa quando vocês me tiraram às pressas de lá. Mas no fim, funcionou, não foi?

Não consigo conter a risada. Então era isso. Por isso, ela ficou tão feliz quando nos ouviu naquela noite.

No fim, Sofia não queria um bisneto. Queria nos forçar a encarar o que estava ali o tempo todo, e que insistíamos em ignorar.

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