Acordo lentamente, como se estivesse emergindo de um sonho delicioso do qual não quero sair.
A noite foi… perfeita. O jantar, a conversa sem pressa, o vinho, as risadas…
E depois, quando chegamos em casa… foi íntimo. Intenso. Nosso. Sem preocupações com barulhos, sem medo de interrupções, sem pressa.
Só nós dois, finalmente no nosso tempo.
Meu corpo está deliciosamente exausto, mas minha mente… minha mente está tão tranquila que, se eu tentasse, talvez até encontrasse a cura para alguma doença incurável.
É essa a sensação de finalmente estar onde pertenço.
Me viro devagar, só para admirar o homem ao meu lado. Ettore dorme tranquilo, o rosto relaxado, os cabelos bagunçados caindo sobre a testa.
Uma das mãos repousa no meu quadril, como se, mesmo dormindo, ele quisesse ter certeza de que eu não vou fugir.
Não resisto. Com a ponta do dedo, traço devagar a linha do maxilar dele.
— Bom dia, piccola — ele murmura, sem abrir os olhos, mas entrelaçando nossos dedos.
— Pensei que estava dormindo — sussurro, sorrindo.
— Estava — ele responde, finalmente abrindo os olhos azuis que me hipnotizam desde sempre. — Mas senti você me observando.
— Culpada. Você fica ainda mais bonito dormindo.
— Mentirosa — ele ri baixinho, me puxando para mais perto. — Dormiu bem?
— Como um bebê — admito, me aninhando no peito dele. — Não quero sair daqui nunca mais.
— Nem eu — ele murmura, beijando o topo da minha cabeça.
Ficamos assim por alguns minutos, trocando carícias preguiçosas e beijos suaves. É o tipo de manhã com que sonhei por anos. Simples. Quente. Nossa.
Mas então, algo muda no rosto dele. A leveza se desfaz, sutil, mas perceptível.
— O que foi? — pergunto, me afastando um pouco para encará-lo melhor.
Ettore suspira e passa a mão pelos cabelos.
— Hoje é aniversário da minha mãe — diz, como se estivesse pedindo desculpa com antecedência.
Ah… Claro.
— Você… vai à festa? — pergunto, tentando manter o tom neutro.
— Preciso ir — responde, me olhando com um misto de culpa e firmeza. — Sei que vocês duas não são exatamente… fãs uma da outra. Mas ela é minha mãe, Liz. Não posso simplesmente não aparecer no aniversário dela.
Respiro fundo, lutando contra a minha primeira reação: sugerir que ele vá sozinho.
A ideia de passar uma noite inteira na presença da minha sogra, fingindo civilidade, não é exatamente o meu conceito de diversão.
Mas ele está certo.
Chiara é a mãe dele. E seria infantil da minha parte transformar isso em um problema.
— Você está certo — digo, enfim. — Ela é sua mãe. Claro que você tem que ir.
— Você… viria comigo? — ele pergunta, hesitante.
— Posso levar a Giulia? — rebato. — Para tornar tudo um pouco menos… tenso?

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