“Liz Bianchi”
Passo a manhã inteira ensaiando as palavras na minha cabeça.
Como contar para Ettore minha decisão sem parecer que estou sendo influenciada por ele, quando, na verdade… bem, ele é uma das principais razões.
Quando não aguento mais a ansiedade, pego o celular e envio uma mensagem:
“Posso subir? Tenho algo importante para te contar.”
A resposta vem em segundos:
“Claro. Estou livre agora.”
Subo até o andar da diretoria, cumprimento a assistente dele e bato na porta.
Quando entro, Ettore está atrás da mesa, mas se levanta imediatamente ao me ver.
— Oi — diz, num tom contido, como se estivesse bem curioso sobre o motivo que me trouxe até aqui.
— Oi — respondo, fechando a porta atrás de mim.
— Vem, sente-se — ele indica a poltrona em frente à mesa, mas, em vez de voltar para sua cadeira, se senta na poltrona ao lado da minha.
— Decidi sobre o Japão — começo, sem rodeios.
— E? — pergunta, e posso ver que ele está prendendo a respiração.
— Não vou.
A expressão dele muda instantaneamente. Alívio, surpresa… talvez até um pouco de culpa por se sentir aliviado.
— Liz… — começa, mas para quando toco sua mão.
— Antes que você diga qualquer coisa — interrompo —, quero que saiba que essa foi minha decisão. Completamente minha. Você não me influenciou, não me pressionou… na verdade, fez o oposto.
— Por que decidiu não ir?
— Porque percebi que não quero estar longe de você. Nem da minha mãe… nem das pessoas que amo — explico, sentindo meu coração acelerar. — Porque três meses podem não parecer muito, mas quero aproveitar cada minuto ao seu lado. Desde já.
Ettore desiste de esconder o sorriso e se levanta num pulo, me puxando para seus braços.
Sua boca encontra a minha num beijo quase desesperado, carregado de alívio.
— Obrigado — sussurra contra meus lábios antes de se afastar um pouco para me encarar. — Por me escolher. Por escolher ficar.
— Estou fazendo o que deveria ter feito há três anos, Ettore — respondo, tocando seu rosto. — Estou escolhendo o nosso amor, como deveria ter sido desde sempre. Me desculpe por demorar tanto para…
— Shh — ele me cala com um beijo. — Não vamos estragar esse momento com pedidos de desculpas.
Assinto e o puxo para outro beijo, suave, mas intenso. Um selo silencioso da minha promessa.
— Tem certeza de que não vai se arrepender? — pergunta quando nos separamos.
— Não sei — admito com sinceridade. — Mas sei que me arrependeria muito mais se fosse embora agora. Além disso, já pensei em uma solução para o projeto.
— Que solução?
— Paolo — respondo, sorrindo. — Ele tem experiência internacional, domina as técnicas que eles valorizam e finalmente entendeu que inovar é preciso. Vou recomendá-lo ao Sr. Takeshita.
— Isso é… brilhante — Ettore sorri também. — Paolo vai surtar de felicidade.
— Espero que sim. Ele merece essa oportunidade — digo, então meu sorriso diminui um pouco. — E o conselho? Como acha que vai reagir?
— O que podem fazer? Não vamos deixar de mandar alguém — ele responde, depois sorri de lado, com aquele ar malicioso. — Giorgio vai ficar frustrado. Ele estava bem insistente com isso.

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