“Liz Bianchi”
Meu coração quase para quando ouço a voz de Ettore. A expressão no rosto dele me diz que ouviu exatamente o que não deveria ter ouvido.
Troco um olhar rápido com Giulia, que parece tão surpresa quanto eu. Respiro fundo e puxo Ettore pela mão, afastando-nos alguns passos de Max.
— Descobri um jeito de finalmente provar o que aconteceu — digo, baixinho, olhando diretamente nos olhos dele. — Mas preciso que confie em mim.
— Do que você está falando? — pergunta, franzindo as sobrancelhas.
— Você vai descobrir — respondo, apertando sua mão. — Só preciso dar um jeito de ficar a sós com a Chiara.
— Com a minha mãe? — questiona, ainda mais confuso. — Liz, o que você está planejando?
— Confie em mim, amore mio — interrompo, beijando rapidamente seus lábios antes de me afastar. — Por favor.
Volto para onde Giulia está, encontrando-a no meio de mais um de seus cortes verbais contra Max.
— Oi, Max — cumprimento, tentando aliviar a tensão. — Como vai?
— Oi, Liz — ele responde, claramente desconfortável. — Estou… sobrevivendo.
Forço um sorriso, sentindo pena do quanto ele ainda vai ter que suar para conseguir dobrar a minha amiga. Ele se afasta assim que Ettore reaparece, sem fazer mais perguntas — para meu alívio.
— Giu — chamo baixinho, assim que os dois se afastam —, lembra do que conversamos?
— Sim.
— Só preciso que fique de olho. Quando me vir com a Chiara, certifique-se de que o Ettore saiba onde estamos — sussurro. — É importante que ele ouça a conversa.
— Liz, isso é perigoso…
— Sei — corto. — Mas é a única forma.
Observo discretamente Chiara circulando entre os convidados, esperando o momento certo. Pouco depois, quando finalmente a vejo indo para o interior da casa, é a minha deixa.
— Agora — sussurro para Giulia.
Me afasto e sigo os passos de Chiara, alcançando-a no hall de entrada.
— Chiara — chamo. — Podemos conversar?
Ela se vira com aquela expressão de aborrecimento que já conheço bem.
— Não vou perder meu tempo conversando com alguém insignificante na minha própria festa — responde, fria.
— Tudo bem — digo, fingindo desapontamento. — Só achei que você fosse querer saber por que realmente rejeitei a oferta do Japão.
A mudança na expressão dela é instantânea. Os olhos se estreitam, e a curiosidade vence a arrogância.
— Como assim?

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