“Ettore Bianchi”
Minha mãe me encara como se tivesse visto um fantasma. A satisfação que brilhava em seus olhos foi substituída por algo que raramente vejo nela: pânico.
— Ettore! — ela exclama, nervosa. — Você não entendeu direito. Eu estava apenas…
— Chega! — corto. — Chega de mentiras.
— Querido, eu só estava… provocando a Liz — ela insiste, num tom baixo. — Acha mesmo que eu faria algo assim?
— Essa é exatamente a pergunta que estou me fazendo — respondo, entrando no escritório e fechando a porta atrás de mim. — Por que quis destruir três anos da minha vida por puro capricho?
— Não foi capricho — rebate, levantando-se da cadeira com a dignidade que sempre usa como escudo. — Foi proteção. Você estava prestes a jogar fora seu futuro por… por ela!
Aponta para Liz como se minha mulher fosse algo repugnante.
— Meu futuro? — repito, sentindo a raiva subir pela garganta. — Ou o futuro que você havia planejado para mim?
— É a mesma coisa!
— NÃO É A MESMA COISA, PORRA! — explodo, socando a mesa com tanta força que alguns objetos saltam.
Chiara recua ligeiramente, assustada.
— Você ia desistir de Oxford — diz, como se isso justificasse tudo. — De Londres, da oportunidade de expandir nossos negócios internacionalmente. Ia jogar tudo no lixo para ficar brincando de casinha com uma Montesi.
— E daí?! — rebato, tentando controlar o ódio que ameaça me consumir. — Era a MINHA decisão. MEU direito de errar!
— Uma decisão estúpida!
— UMA DECISÃO QUE CABIA A MIM! — grito novamente, desta vez batendo o punho contra a parede. — Vocês dois me manipularam, mentiram, destruíram a mulher que eu amava… e por quê? Porque acham que sabem o que é melhor para mim?
— Fizemos o que era necessário — rebate, tranquila. — E olha onde você chegou! Líder de uma holding internacional, respeitado, bem-sucedido…
— Sozinho — completo, amargo. — Amargurado. Odiando alguém que realmente me amava.
— Você encontrou o caminho certo…
— ENCONTREI O INFERNO! — explodo mais uma vez. — Três anos no inferno, mamma! Três anos me corroendo por uma traição. Três anos planejando vingança contra uma mulher inocente!
Me viro para Liz, que permanece em silêncio. O alívio nos olhos dela é nítido.
Alívio por finalmente a verdade ter vindo à tona. Por eu saber finalmente o que nos trouxe até aqui.
— Vocês nem estavam em Milão naquela época — continuo, voltando a encarar Chiara. — Por isso, nem desconfiei da sua calma quando contei meus planos para você. Quando disse que estava pensando em recusar Oxford. Que queria ficar aqui, com a Liz.
Minha mãe não responde, mas o silêncio é confissão suficiente.
— Achei que sua reação calma era… compreensão — prossigo, sentindo as peças se encaixarem. — Que você havia entendido o quanto eu a amava. Mas não era compreensão. Você já estava planejando mentalmente como eliminar esse “obstáculo” da minha vida, não é?

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