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Contratei uma Babá e ela era Minha Noiva Fugitiva romance Capítulo 260

~ MAREU – 6 MESES DEPOIS... ~

Seis meses depois, eu tinha aprendido duas coisas muito importantes sobre a vida.

A primeira: nenhum bebê de seis meses respeita a sua necessidade pessoal de tomar um banho sem plateia ou dormir mais do que duas horas.

A segunda: mesmo assim, de alguma forma, mulheres continuavam esperando que eu desenhasse vestidos que parecessem ter sido soprados diretamente por anjos especializados em tule e organza.

No momento, eu estava no ateliê montado em casa, cercada por tecidos, croquis, uma xícara de café que já tinha passado da fase aceitável e entrado no território criminal, e um manequim vestido com a minha atual dor de cabeça em seda off-white.

Quer dizer. Off-white, pérolas discretas, cintura marcada, caimento delicado e toda a estética de mulher rica que quer parecer que simplesmente acordou perfeita no meio do Mediterrâneo.

Kara Milani.

Cliente assídua, linda, sofisticada, perigosamente acostumada a confiar demais em mim e, o mais problemático de tudo, uma pessoa com dinheiro suficiente para transformar qualquer ideia vaga em um grande problema meu.

A loja estava indo bem. Bem até demais. O tipo de bem que faria a Mareu de um ano atrás gargalhar histericamente e depois sair correndo pela casa Novak contando para a Olívia que a vida, de vez em quando, fazia umas piadas boas. Mas, com uma bebê de seis meses, eu estava pegando leve. Muito leve.

Ou, pelo menos, tão leve quanto eu podia pegar quando descobri que tinha talento, clientela e fila de espera.

Eu tinha reduzido a produção. Escolhia menos encomendas. Fazia menos vestidos por vez. Passava mais tempo ali em casa do que na loja propriamente dita. Parte porque queria. Parte porque ainda havia um corpo inteiro se reorganizando por baixo da minha pele e me lembrando, em pequenas traições diárias, que quase morrer tinha efeitos colaterais pouco glamourosos.

Ainda assim, eu gostava daquele espaço.

Do silêncio quebrado pelo som da tesoura. Do cheiro de tecido novo. Do absurdo reconfortante de poder criar beleza com as mãos.

— Eu continuo dizendo que isso aqui está ridiculamente lindo — Clara comentou, jogada na poltrona do canto como se fosse uma herdeira supervisionando investimentos têxteis. — E eu continuo dizendo que, se um dia você enjoar de moda festa, você tem potencial para dominar o mundo.

Eu nem olhei para ela. Estava ocupada puxando o tecido da saia para tentar decidir se queria mais movimento ou mais estrutura.

— Eu já estou dominando o meu café frio e a minha vontade de estrangular cliente sem briefing — respondi. — Um império de cada vez.

Clara riu.

— Kara de novo?

— Kara de novo.

Isso porque, oficialmente, eu já tinha feito vestidos o bastante para Kara Milani abrir um museu temático em homenagem ao meu sofrimento. Jantar beneficente. Evento beneficente. Aniversário chique. Casamento de não sei quem. Festa na Riviera. Agora, renovação de votos.

E o problema não era nem o evento em si. O problema era que, desta vez, ela tinha aparecido com um grau de objetividade equivalente ao de uma nuvem artística muito rica.

Eu ainda lembrava da conversa.

— Mas eu preciso de detalhes — eu tinha dito, com o lápis na mão e a dignidade por um fio.

Kara, linda, hidratada e insuportavelmente serena, só tinha dado de ombros.

— Pôr do sol. Viagem de cruzeiro. Coisa mais intimista.

Eu tinha ficado olhando para ela, esperando o resto.

Não veio.

— Só isso?

— Quero que seja um vestido surpresa — disse, como se isso fosse uma frase razoável para se dizer a alguém que trabalha com costura e não com adivinhação espiritual. — Do seu jeito.

— Não pode ser um vestido surpresa. Você precisa experimentar.

— Temos mais ou menos o mesmo corpo.

O que era uma mentira elegante.

Quer dizer, não uma mentira ofensiva. Kara era lindíssima. Eu também estava voltando a me reconhecer no espelho. Mas “mais ou menos o mesmo corpo” era uma categoria perigosamente ampla quando uma de nós tinha acabado de ter uma bebê prematura seis meses antes e a outra parecia ter sido desenhada por Deus num dia de perfeccionismo extremo.

Mesmo assim, eu não ia discutir com uma cliente tão fiel e aparentemente excêntrica.

Além disso, eu tinha sido convidada para a renovação de votos. O evento ia acontecer no mais novo navio-vitrine de Logan, o que significava que, se desse alguma tragédia de caimento na última hora, eu poderia ajustar a peça a bordo.

Isso, pelo menos, me dava algum conforto.

Ou deveria dar.

Na prática, o que eu tinha era um vestido de renovação de votos sobre um manequim, tecido branco escorrendo na minha frente e uma pequena dor chata, conhecida, instalada exatamente no lugar onde moram as coisas que a gente finge que superou.

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