Capítulo 263
~ MAREU ~
Eu tentei perguntar o que estava acontecendo pelo menos cinco vezes.
Na sexta, já não era nem pergunta. Era reclamação com véu.
— Kara, pelo amor de Deus, para de me puxar e fala comigo.
Ela continuou andando pelos corredores do Palingenesia com uma calma irritante. O salto mal fazia barulho no carpete elegante do navio, e o buquê balançava na minha mão como se também estivesse participando de uma conspiração internacional contra o meu sistema nervoso.
— Você está atrasada — eu sibilei, tentando acompanhar o passo dela sem tropeçar no vestido. — Muito atrasada. E eu preciso de tempo para arrumar esse vestido em você, porque, veja só, eu ainda sou uma profissional mesmo quando estou sendo sequestrada de noiva no meio de um navio.
Kara só me lançou um olhar por cima do ombro.
Um olhar de mistério.
— Confia em mim — foi tudo o que disse.
— Essa frase nunca acalmou ninguém de verdade na história da humanidade.
Ela riu.
Eu não.
Quer dizer, um pouco. Mas só porque o meu cérebro já tinha entrado numa espécie de exaustão operacional em que, depois de certo nível de absurdo, rir parecia menos desgastante do que tentar entender.
Mesmo assim, continuei tentando.
— Kara, a sua cerimônia começou em, tipo, ontem. Você não está usando o vestido. Eu estou usando o vestido. Isso não faz sentido em nenhum universo aceitável.
Ela não respondeu. Só manteve aquela expressão serena, como se a minha crise fosse um detalhe logístico e não uma reação totalmente adequada de uma mulher que, até cinco minutos atrás, só estava tentando impedir uma cliente de renovar votos usando biquíni.
Então paramos.
De repente.
No deck panorâmico.
Uma área aberta, mais alta, com vista limpa para o mar.
E eu, por um segundo inteiro, esqueci até de respirar.
Porque estava completamente decorado.
Cadeiras ladeavam um tapete vermelho estendido sobre a madeira clara do deck. Arcos de flores emolduravam o altar improvisado. O sol se punha ao fundo, mergulhando o horizonte em dourado e rosa, como se o céu tivesse recebido briefing específico para colaborar com a cenografia. O mar se abria atrás de tudo em uma extensão azul-viva e silenciosa, grande demais, perfeito demais, quase agressivamente simbólico.
Aquilo era o local da cerimônia.
Demorei um segundo para perceber.
Talvez dois.
Porque o meu cérebro, claramente exausto de tantos sinais ignorados, ainda estava tentando encaixar as informações na narrativa errada.
A cerimônia da Kara.
A renovação de votos da Kara.
Mas então a lógica começou a se desmontar peça por peça.
Kara ainda não estava usando o vestido.
Eu estava.
Ela estava de lado, tranquila demais para uma noiva atrasada.
Eu estava com um véu.
Eu estava segurando um buquê.
E por que raios era Logan — exageradamente lindo, criminosamente bem vestido, inteiramente irreal dentro de um terno sob medida — quem estava parado no altar?
Meu coração parou por meio segundo.
Ou pulou um.
Ou explodiu e remontou errado dentro do peito. Não sei. A parte técnica daquele momento ficou comprometida.
Porque era Logan.
Parado no altar.
O vento mexia de leve no cabelo escuro dele. A luz do fim da tarde desenhava a linha do maxilar daquele jeito ofensivo que me fazia querer processá-lo por excesso de beleza em local público. A postura era a mesma de sempre — reta, segura, controlada —, mas os olhos...
Os olhos dele estavam em mim.
Só em mim.
Como se eu fosse a única coisa naquele navio inteiro.
E, de repente, percebi o resto.

A frase entrou em mim de um jeito quase físico.
Porque, sim.
Por que eu achava que Logan Novak estaria parado no altar, de terno, ao pôr do sol, me olhando daquele jeito, se não fosse por isso?
Meu Deus.
Meu Deus.
Meu Deus.

Kara se inclinou discretamente na minha direção.
— Vai lá — sussurrou.

E eu fiquei lá.
Parada.
Só por mais um segundo.
O buquê entre os dedos.
O véu caindo pelos meus ombros.
O coração completamente incapaz de se comportar como um órgão maduro e funcional.
Olhei outra vez para Logan.
Para o altar.
Para o tapete.
Para Olívia, já alguns passos à frente.
E foi então que finalmente entendi.
Eu estava me casando.
Eu realmente estava me casando com Logan Novak.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Contratei uma Babá e ela era Minha Noiva Fugitiva
Quantos capítulos por dia são liberados?...