~ MAREU ~
Minhas pernas começaram a se mexer antes que o resto de mim acompanhasse direito.
Devagar.
Um passo.
Depois outro.
Todo mundo estava olhando. Todo mundo sorria. O sol descia atrás do altar de flores como se o céu inteiro tivesse decidido colaborar com Logan Novak e o seu plano de fazer nosso casamento parecer cena final de filme milionário.
Mas, sinceramente?
Minha vontade não era andar devagar e com compostura.
Minha vontade era correr.
Correr até ele.
Correr e me jogar nos braços dele.
Correr e acabar logo com o intervalo absurdo entre mim e o homem da minha vida.
Porque eu queria aquilo mais do que tudo.
Queria me casar com Logan Novak.
E não podia ser mais perfeito.
Não porque fosse o maior evento da minha vida. Não porque tivesse luxo, navio, pôr do sol, flores importadas e pessoas fingindo normalidade social enquanto claramente participavam de uma conspiração romântica de alto orçamento.
Era perfeito porque eu não precisava de nada além daquilo.
Eu não precisava de uma festa enorme. Não precisava de um salão lotado. Não precisava de uma entrada pensada para render manchete em páginas de celebridades. Eu precisava só das pessoas que estavam ali.
As pessoas que eu amava.
As pessoas que me amavam.
Meus filhos.
Meus pais.
Meus sogros.
Meus amigos.
Minha família — inclusive a que eu não tinha visto chegar, mas a vida, em seu senso de humor torto, decidiu me dar.
O véu balançou levemente com o vento quando eu continuei andando. O buquê tremia entre meus dedos, embora eu me recusasse a admitir que era nervosismo.
Olhei para Logan de novo.
Ele ainda estava me olhando como se eu fosse a única coisa no horizonte inteiro.
O terno sob medida caía nele com aquela perfeição irritante de quem tinha sido desenhado para constranger o restante da humanidade. Mas não era isso que me prendia.
Era o sorriso.
O sorriso aberto mais lindo que eu já tinha visto na vida.
O tipo de sorriso que não aparecia em reunião, em evento corporativo ou na frente de conselho. O tipo de sorriso que era só meu. Nosso. Da família que construímos no caos, na teimosia, no amor.
Quando finalmente cheguei até ele, parei na sua frente e respirei fundo.
Sorri.
— Oi.
Logan sorriu mais ainda.
— Oi.
Eu balancei o buquê de leve, porque claramente precisava registrar a excelência da operação.
— Bela surpresa. Gostei muito. De verdade.
Ele soltou uma risada baixa, aquela risada que fazia o canto dos olhos dele enrugar um pouco e me dava vontade de beijá-lo imediatamente.
Então falou, olhando para mim como se o resto do deck tivesse deixado de existir:
— Da outra vez, você não pôde chegar até mim. Hoje, eu trouxe você de volta ao lugar onde tudo começou entre a gente para finalmente ouvir o seu sim.
Antes que qualquer parte do meu cérebro conseguisse intervir, eu disparei:
— Sim! Sim, sim, sim!
Algumas pessoas riram. Henrique, inclusive, teve a falta de educação de rir alto.
Clara, parada no lugar de madrinha, se inclinou discretamente e sussurrou com a maior dignidade possível:
— Ainda não é a hora, Mareu. Se segura mais um pouquinho.
Todo mundo riu de novo.
Eu fechei os olhos por um segundo e respirei fundo.
— Ah, é. Tudo bem.
O celebrante, um homem elegante com voz calma e perfeita para conduzir momentos em que pessoas choram sem querer parecer descompostas, começou a cerimônia.
Falou sobre amor. Sobre escolha. Sobre caminhos improváveis. Sobre como certas histórias não nascem da lógica, mas da insistência de dois corações em se encontrarem mesmo quando a vida inteira parece ocupada demais tentando separá-los.
Eu ouvi tudo.
Ou pelo menos tentei.
Mas a verdade é que uma parte de mim ainda estava ocupada demais em processar o fato de que eu estava ali. De véu. De buquê. No pôr do sol. Num navio chamado Palingenesia. Diante do homem de quem fugi sem saber o nome e para quem, no fim, corri a vida inteira sem perceber.
Então chegaram os votos.
Logan segurou minhas mãos.
O toque dele era firme, quente, seguro, como se me dissesse sem palavras que, depois de tudo, eu podia descansar ali.
Ele inspirou fundo antes de começar.
— Quando você entrou na minha vida, eu não entendi nada.
Algumas risadas baixas correram pelas cadeiras.
— Na verdade — ele corrigiu, e o olhar dele ficou ainda mais inteiro em mim —, eu continuei sem entender por muito tempo.

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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Contratei uma Babá e ela era Minha Noiva Fugitiva
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