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Contratei uma Babá e ela era Minha Noiva Fugitiva romance Capítulo 259

~ LOGAN ~

E depois de todo o caos, finalmente veio a calmaria.

Agora, eu estava ali, olhando para Mareu recostada na cama com Eva no colo, eu tinha certeza de que dali a dez anos ainda me lembraria daquela cena com a mesma precisão com que lembrava dos piores momentos da minha vida. Talvez até com mais.

Porque a memória costuma se apegar ao que dói.

Mas também, às vezes, ela escolhe o que salva.

Mareu estava apoiada em travesseiros, os cabelos soltos caindo pelos ombros em ondas um pouco desalinhadas, o rosto ainda pálido, ainda marcado pelo que o corpo atravessou. Havia fragilidade nela, sim. Cansaço. Uma delicadeza quase dolorosa nos movimentos. Mas havia vida também. Muita. Sobretudo nos olhos, agora abaixados para o pequeno pacote de gente acomodado em seus braços.

Eva.

Nós finalmente tínhamos escolhido.

Ou, para ser mais exato, Olívia tinha.

Ainda me vinha à cabeça a cena da primeira visita dela à irmã. A indignação. Aquela indignação profundamente Olívia Novak, que aos sete anos conseguia transformar irritação em manifestação formal de inconformidade institucional.

Ela tinha acabado de entrar na neonatal, devidamente paramentada, séria como se fosse fiscalizar o funcionamento inteiro do setor, quando ouviu uma das enfermeiras se referir à bebê como menina Novak.

Olívia se virou na hora.

— Menina Novak não é um nome — disse, ultrajada em volume controlado. — Isso é uma ausência nominal temporária extremamente deselegante.

A enfermeira, coitada, ficou entre o riso e o pedido de desculpas.

Depois, Olívia foi ver Mareu.

Chorou copiosamente por alguns minutos, agarrada à lateral da cama, como se estivesse despejando ali tudo o que vinha segurando desde o casamento interrompido. Depois enxugou o rosto, fez perguntas objetivas para a enfermeira — Mareu estava bem? estava fora de perigo? podia piorar de novo? — e só quando teve respostas que considerou satisfatórias se recompôs o suficiente para voltar a ser Olívia.

Foi então que veio com a ideia.

Eva.

Segundo Olívia, com a autoridade de quem tinha feito pesquisa e portanto falava em nome da ciência, da etimologia e provavelmente do destino, o nome Eva surgia a partir do hebraico Chavah e Havah, que significava respirar, viver, dar vida. Por extensão, o nome também significava a que vive, cheia de vida.

Mareu tinha testado o nome em voz baixa, ainda rouca da desentubação.

— Eva.

E aprovado na hora.

Agora nós tínhamos Eva.

Nossa filha deixava ver só metade do rosto entre a manta e o braço da mãe. Ainda pequena. Ainda leve demais. Ainda me parecendo algo precioso que o mundo precisava pedir licença antes de encostar. Mas forte. Muito mais forte do que o primeiro dia deixava imaginar.

Mareu ergueu os olhos para mim, e o sorriso que apareceu em sua boca foi daqueles que mudam a temperatura de um cômodo.

— Dá para acreditar que foi a gente que fez ela? — perguntou, em voz baixa, para não perturbar a bebê. — Como isso é possível?

Eu soltei uma risada curta e me aproximei mais da cama.

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