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Contrato de vingança: casada com o Inimigo romance Capítulo 2

Com o pouco de forças que ainda me restava, arrastei meu corpo até o quarto dos meus pais. Deitei-me na cama entre os dois corpos, buscando o conforto que eles sempre me davam quando eu tinha pesadelos na infância. Porém, eles não podiam mais me aquecer.

Meus olhos pousaram no frasco âmbar no chão, onde ainda restava um pouco do veneno que eles haviam tomado.

Eu não tinha mais nada. Não tinha mais ninguém. Talvez devesse apenas ir com eles...

Antes que eu pudesse ceder àqueles pensamentos, meu celular começou a tocar.

Com uma última esperança tola de que talvez fosse Vítor para se desculpar e dizer que tudo não passara de uma brincadeira de mau gosto, peguei o celular e vi o nome na tela.

"April"

Todos os meus amigos tinham parado de me atender e até me bloqueado quando a notícia da falência da minha família veio à tona. Mas April estava no exterior; com certeza ainda não sabia.

O medo de ser desprezada por ela também me fez hesitar, mas, ainda assim, atendi.

— Evelyn, como você está? — a voz do outro lado soou preocupada.

— April! — chamei, tentando segurar o choro.

April era minha melhor amiga e, certamente, a única com quem eu podia contar.

— Amiga, eu recebi seu recado. Soube do que aconteceu... Como você está? Onde você está?

— Meus pais... eles morreram, April! — voltei a desabar em lágrimas, ainda incrédula com aquela realidade. — Eu perdi tudo. Eles levaram tudo. Eu não tenho dinheiro nem para o funeral dos meus pais!

— Amiga, eu sinto muito. Eu estou indo para aí.

Olhei à volta: a casa vazia, os objetos quebrados, etiquetas judiciais por todos os lados.

Aquela que outrora fora uma mansão grandiosa agora parecia o cenário de um filme de tragédia.

Eu não queria que ela visse aquilo. Não queria que ninguém visse.

— Não precisa! — respondi, interrompendo-a. — Me mande seu endereço. Eu vou até você.

— Claro. Eu estou com o pessoal, não se preocupe. Vamos todos apoiar você neste momento. Vou mandar o endereço.

— Muito obrigada, April. Eu não sei o que faria sem você.

— Amigas são para isso. Venha logo.

Assim que a ligação se encerrou, senti meu coração se encher de esperança. Talvez eu não estivesse tão sozinha quanto pensava.

Rapidamente me levantei, olhei para os corpos dos meus pais e deixei um beijo na testa deles.

— Eu volto logo. Não importa como, vou conseguir dinheiro e dar um enterro digno a vocês.

Cobri seus corpos com o lençol, ajeitando os travesseiros como se eles ainda pudessem sentir conforto.

Saí de casa e peguei um táxi com as últimas notas que me restavam.

Alguns minutos depois, o táxi parou no endereço e, ao olhar pela janela, senti um frio no estômago.

Moon Light Club. O clube noturno da mais alta elite, frequentado apenas pela nata da sociedade; um lugar que eu costumava frequentar muito.

Mas agora, com minha reputação de herdeira caída, eu tinha medo de entrar ali. Medo de ser reconhecida. Medo de passar por uma situação constrangedora.

Suspirei, tentando me acalmar.

"Você não tem tempo para pensar no seu orgulho agora, Evelyn. É só entrar, falar com a April e sair."

— Evelyn! — ouvi a voz de April e sorri ao vê-la se aproximar.

— April!

Nós nos abraçamos, e ela me confortou com palavras gentis, tudo de que eu precisava.

April olhou para mim, e segui seu olhar, notando como eu estava uma bagunça: rosto vermelho e inchado, cabelo desarrumado, roupas amarrotadas e manchadas de lágrimas e sangue.

— Venha, vamos ao banheiro dar um jeito em você. Eu sei que está passando por um momento difícil, mas não pode deixar ninguém te ver assim. Afinal, você é a Evelyn Fuentes de Castilho.

Disse ela com a voz animada, tentando me animar.

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