Aelyn
Eu ainda estava tremendo no colo dele, o coração batendo tão forte que parecia que ia sair do peito. Era tudo que eu sempre quis. Felipe me olhando como se eu fosse a única mulher do mundo, as mãos dele na minha cintura, a boca ainda quente da minha. Mas ao mesmo tempo… o medo era maior que a felicidade.
E se fosse só ciúme? E se amanhã ele acordasse e percebesse que tinha sido só o calor do momento?
Eu me afastei devagar, saindo do colo dele e voltando para o banco do passageiro. Ajeitei o vestido com as mãos trêmulas.
"Fê… eu… eu preciso conversar com o Luciano primeiro." Minha voz saiu baixa, quase falhando. "Eu… eu não sei o que fazer. Eu achei que você nunca iria me ver assim. Que, depois daquela noite… você nunca ia querer ficar comigo de verdade."
Ele ficou em silêncio por um segundo. Depois segurou minha nuca com firmeza, trazendo meu rosto bem perto do dele. O olhar era intenso, quase urgente.
"Eu sabia que você tinha bebido aquela noite", murmurou, a voz grave. "Não queria que ficasse comigo por causa da bebida. Eu queria que fosse como hoje… consciente. Mas fui covarde demais pra tomar a iniciativa. Esperei quatro anos, Aelyn. Quatro anos sendo burro e deixando você se envolver com outras pessoas pela minha covardia. Desperdiçando o nosso tempo com pessoas erradas."
Meus olhos marejaram. As lágrimas ameaçaram cair.
"Eu… eu sempre te amei", confessei, a voz embargada. "Sempre. Mas agora tem outra pessoa. Eu não posso simplesmente ignorar a existência dele. Preciso terminar direito, com calma. Não consigo fazer isso de qualquer jeito. Ele é uma pessoa boa. Alguém que eu também aprendi a gostar."
Felipe fechou os olhos por um momento, respirando fundo. Eu vi o maxilar dele tensionar.
"Você está certa", disse finalmente, mesmo que parecesse custar caro. "Você tem que fazer do jeito certo. Mas só de imaginar o Luciano chegando perto de você agora…" Ele balançou a cabeça, como se quisesse afastar a imagem. "Eu fico louco."
Eu não consegui segurar o riso nervoso que escapou.
"Você é um idiota", falei, limpando uma lágrima que teimou em cair. "Sempre foi ciumento pra caramba. Mas não assim... eu sempre achei que você nunca seria assim comigo."
Ele sorriu de lado, aquele sorriso torto que me desmontava desde os quinze anos.
"Vem cá." ele me abraçou e meu rosto ficou na curva do pescoço dele. "Eu fiz muita coisa errada com a gente. Mas se você puder me perdoar, se puder me deixar arrumar tudo que eu fiz pra nós... eu prometo que não vai se arrepender." Suspirei, sentindo as borboletas o meu estômago se agitar.
"Eu tô com medo..." mordi o canto da boca.
"Eu também tô. Mas meu medo é de te perder de vez, por não ter arriscado antes." ele voltou a me beijar, agora mais delicado, mais tranquilo, e deixei-me levar por aquele momento.

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