Entrar Via

Coração Emprestado: A babá da filha do Juiz romance Capítulo 310

Felipe

Eu queria voltar para o quarto. Queria abrir aquela porta, sentar ao lado dela, segurar sua mão e não soltar mais. Mas eu sabia que ela precisava daquele momento com a mãe. Sozinha. Então aceitei o convite do Cássio para sair.

"Como aconteceu?" ele falou tenso me encarando.

"Ela teve um mal súbito Eu deixei ela na sua casa e pouco tempo depois a Serena me ligou falando que eles estavam aqui... eu... eu não devia ter deixado ela sozinha, mas ela não me disse que já tinha passado mal naquele dia."

"Não é culpa sua, garoto. Aelyn tem a mesma mania da Branca. Prefere esconder a contar que está sentindo algo." concorde, mas eu não conseguia parar de pensar que se ela estivesse sozinha.

"Eu... a gente... nós estamos juntos, Cássio. Depois de tanto tempo, eu... eu queria que você soubesse que vou cuidar da sua filha." o encarei sério e ele se virou completamente para mim, me encarando, não mais como meu tio, mas como meu futuro sogro.

"Achei que nunca ia acontecer." ele falou colocando as mãos no bolso.

"Eu quase a perdi, não vou deixar isso acontecer de novo." ele então se aproximou e colocou a mão no meu ombro e disse, sabe que se a fizer sofrer eu te mato né?"

"Sei." dei risada de lado. "Não sei como ainda não tinha feito isso. Ela demonstra bem mais do que eu o que sente." ele riu e disse.

"Ela iria me matar se eu te obrigasse a amá-la da mesma forma." Nós dois rimos.

"Vamos até a recepção, seus pais estão lá nos esperando."

Assim que cheguei, vi meus pais. Mamãe me viu primeiro e veio praticamente correndo, me abraçando forte.

"Meu filho… como você está?"

Eu abracei ela de volta, mas não consegui responder de imediato. Meu pai veio logo depois, apertando meu ombro com aquela força quieta dele.

"Não sei", admiti, a voz rouca. "Eu não sei o que sentir. Não sei o que fazer. Não sei como ajudar ela… Eu me sinto completamente inútil."

Laís acariciou minhas costas.

"Você está aqui. Isso já é muito."

Cássio, que estava um pouco afastado, se aproximou e colocou a mão no meu outro ombro.

"Ela tem razão, Felipe. Só de você estar aqui, dando apoio pra ela… já é mais do que suficiente. A Aelyn precisa saber que não está sozinha. E pelo que eu vi, você não vai a lugar nenhum."

Eu assenti, mas o aperto no peito não diminuiu.

Foi quando Luciano se aproximou, com uns papéis na mão e uma expressão séria, profissional.

"Felipe, podemos falar um minutinho?"

Ele abriu os papéis e começou a explicar, olhando para todos nós:

"A Aelyn fez transplante cardíaco aos seis anos. O coração dela é de doador, e depois de tanto tempo, o corpo pode começar a apresentar algumas complicações crônicas. O que aconteceu hoje parece ter sido uma combinação de fatores: uma rejeição leve aguda que estava passando despercebida, somada a um quadro de arritmia ventricular que se agravou com o estresse emocional alto da noite. O coração transplantado não tem as mesmas inervações que um coração normal, então ela nem sempre sente os sintomas clássicos de alerta. Por isso ela minimizou o mal-estar que sentiu mais cedo."

Ele fez uma pausa, olhando especialmente para mim.

"O tratamento vai ser agressivo no começo. Vamos aumentar a dose dos imunossupressores, fazer uma biópsia endomiocárdica amanhã para avaliar o grau exato da rejeição, e ela vai precisar ficar em observação por pelo menos três ou quatro dias. Se a rejeição for controlada rápido, o prognóstico é bom. Mas ela vai precisar de acompanhamento rigoroso pelo resto da vida. Não é raro isso acontecer em transplantados de longa data."

O silêncio que caiu foi pesado.

Eu passei a mão no rosto, tentando processar tudo. A ideia dela passando por tudo isso de novo, agulhas, remédios fortes, risco, me dava um medo que eu nunca tinha sentido.

"Então… ela vai ficar bem?" perguntei, a voz mais fraca do que eu queria.

"Estamos fazendo de tudo pra que sim", Luciano respondeu, direto. "Ela é forte. E agora tem mais motivos ainda pra lutar."

Eu assenti, mas por dentro só conseguia pensar em uma coisa:

Eu não vou deixar ela passar por isso sozinha. Nunca mais.

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Coração Emprestado: A babá da filha do Juiz