Felipe
Eu queria voltar para o quarto. Queria abrir aquela porta, sentar ao lado dela, segurar sua mão e não soltar mais. Mas eu sabia que ela precisava daquele momento com a mãe. Sozinha. Então aceitei o convite do Cássio para sair.
"Como aconteceu?" ele falou tenso me encarando.
"Ela teve um mal súbito Eu deixei ela na sua casa e pouco tempo depois a Serena me ligou falando que eles estavam aqui... eu... eu não devia ter deixado ela sozinha, mas ela não me disse que já tinha passado mal naquele dia."
"Não é culpa sua, garoto. Aelyn tem a mesma mania da Branca. Prefere esconder a contar que está sentindo algo." concorde, mas eu não conseguia parar de pensar que se ela estivesse sozinha.
"Eu... a gente... nós estamos juntos, Cássio. Depois de tanto tempo, eu... eu queria que você soubesse que vou cuidar da sua filha." o encarei sério e ele se virou completamente para mim, me encarando, não mais como meu tio, mas como meu futuro sogro.
"Achei que nunca ia acontecer." ele falou colocando as mãos no bolso.
"Eu quase a perdi, não vou deixar isso acontecer de novo." ele então se aproximou e colocou a mão no meu ombro e disse, sabe que se a fizer sofrer eu te mato né?"
"Sei." dei risada de lado. "Não sei como ainda não tinha feito isso. Ela demonstra bem mais do que eu o que sente." ele riu e disse.
"Ela iria me matar se eu te obrigasse a amá-la da mesma forma." Nós dois rimos.
"Vamos até a recepção, seus pais estão lá nos esperando."
Assim que cheguei, vi meus pais. Mamãe me viu primeiro e veio praticamente correndo, me abraçando forte.
"Meu filho… como você está?"
Eu abracei ela de volta, mas não consegui responder de imediato. Meu pai veio logo depois, apertando meu ombro com aquela força quieta dele.
"Não sei", admiti, a voz rouca. "Eu não sei o que sentir. Não sei o que fazer. Não sei como ajudar ela… Eu me sinto completamente inútil."
Laís acariciou minhas costas.
"Você está aqui. Isso já é muito."
Cássio, que estava um pouco afastado, se aproximou e colocou a mão no meu outro ombro.
"Ela tem razão, Felipe. Só de você estar aqui, dando apoio pra ela… já é mais do que suficiente. A Aelyn precisa saber que não está sozinha. E pelo que eu vi, você não vai a lugar nenhum."
Eu assenti, mas o aperto no peito não diminuiu.
Foi quando Luciano se aproximou, com uns papéis na mão e uma expressão séria, profissional.
"Felipe, podemos falar um minutinho?"

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