Aelyn
Três dias depois
Eu estava deitada na minha cama, cercada de travesseiros, com o edredom até a cintura. Os remédios novos eram fortes — me deixavam um pouco zonza e com uma boca seca constantemente, mas o médico garantiu que era normal. “Melhor prevenir do que remediar”, ele disse. Eu só queria me sentir normal de novo.
Poder ficar em paz sem ter medo de apagar no meio da rua.
"Ah não aguento mais ficar na cama." falei para Luciano que estava sentado na poltrona a frente da minha cama.
"Prefere ficar no hospital?" cruzei os braços, negando. "É por pouco tempo querida, você sabe disso. Sei que já se sente bem, mas ... dá um tempo pro seu corpo se ajustar."
Luciano e Tales tinham aparecido de surpresa com sorvete e besteiras.
"É, mas ela tem razão, deve ser um saco ter tido uma noite perfeita e não ter conseguido tirar uma lasquinha do boy." Tales falou como se fosse a coisa mais normal do mundo e arregalei os olhos.
"Não fala isso, se meu pai te escuta, o Felipe nunca mais coloca os pés aqui." os dois gargalharam.
"Para de drama, mulher. Se acha mesmo que teu pai não imagina o fogo que vocês estão? Esse seu coração deu piti na hora errada." nós voltamos a rir.
"É nisso eu concordo. Até quando eu tenho que a abster de esforços, doutor Luciano." ele olhou para mim rindo.
"Ah querida, mais um mês pelo menos. Vamos evitar grandes estresses para ele." bufei de novo me afundando na cama.
"Um mês é muita coisa." a risada dos dois explodiu dentro do quarto.
"Para uma virgem, você está pegando fogo."
"Quase 25 anos nas costas esperando o único homem que eu sempre quis, podem me julgar, eu não ligo."
"Ninguém aqui está te julgando. Só te achamos muito forte." Tales concordou.
"Então, me conta a real", Tales falou, apontando a colher de sorvete pra mim. "Você tá se sentindo melhor ou tá só fingindo pra gente não surtar?"
"Estou melhor, sim", respondi rindo. "Ainda cansada, mas o peito não tá mais doendo. Os remédios estão controlando a rejeição."
Luciano me olhou com aquela cara de médico que ele não conseguia desligar.
"E o Felipe? Tá te deixando em paz ou tá sendo aquele namorado superprotetor 24h?"
Eu corei. Não consegui evitar.
"Ele tá… sendo o Felipe. Aparece aqui toda hora, traz comida, me obriga a descansar, me olha como se eu fosse desaparecer se ele piscar."
Tales riu.
"Finalmente, né? Depois de quatro anos de enrolação, o homem acordou."
"Ele tinha os motivos dele... e eu achei que... que nunca ia acontecer... e quando acontece, vem isso junto." aponto para o coração.
"Vai passar. O remédio vai controlar e você vai ver, logo vai estar subindo pelas paredes." fiquei vermelha e os dois riram ainda mais.
A conversa continuou com as provocações dos meus amigos, quando a porta se abriu.
Felipe entrou carregando uma sacola de farmácia e uma caixinha de suco natural. Quando viu Luciano e Tales sentados ali, confortáveis, conversando comigo, o maxilar dele travou por um segundo. Foi rápido, mas eu notei.

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