Aelyn
Dois meses depois
As coisas tinham voltado ao normal. Ou quase.
Voltei a trabalhar na clínica, atendendo meus pacientes com o mesmo carinho de sempre. Os remédios estavam controlados, as consultas com o Dr. Martins mais espaçadas. Por fora, tudo parecia bem.
Por dentro… era diferente.
Felipe não tinha me tocado mais. Nem uma vez. Depois daquela noite no hospital, ele ficou com tanto medo que se transformou em um muro de proteção. Beijos carinhosos, abraços apertados, dormir coladinho… mas nada além disso. Eu entendia o medo dele. Eu também tinha medo. Mas doía. Doía sentir que ele me amava tanto que preferia se afastar a correr qualquer risco.
Eu tentei algumas vezes fazer as coisas avançarem, fiz jantares românticos, comprei uns conjuntos mais ousados para usar a noite, mas ele dizia apenas que era cedo. Que deveriamos ter certeza que meu coração aguentaria. E sim, aquilo estava me deixando louca. Por que eu queria um namoro com ele, normal, com tudo que se tem direito, mas meu corpo ainda não conseguia acompanhar.
Eu estava na clínica, terminando de atender o último paciente do dia, quando a recepcionista avisou que o Luciano havia chegado para um procedimento simples de botox.
"Pode mandar ele entrar."
Ele entrou no consultório com aquele sorriso tranquilo de sempre.
"E aí, princesa? Como tá o coração mais forte da cidade?"
Eu ri e o abracei rápido.
"Tá aguentando. Daquele jeito que você sabe..."
"Mas você está seguindo todas as recomendações, né?" Concordei e ele se sentou na cadeira e eu a abaixei.
"Com certeza. Meu namorado é obcecado pela minha saúde."
Durante o procedimento, ele ficou me observando com atenção. Eu sentia uma tontura leve há uns três dias, mas não era nada demais. Só cansaço, muitas medicações, rotina corrida… o de sempre.
Quando terminei, ele não levantou da cadeira..
"Aelyn… você tá com uma cara estranha. Tá sentindo alguma coisa?"
"Só uma tontura de vez em quando. Mas passa rápido. São os remédios, eu acho. Dr Martins disse que poderia acontecer."
"Quanto tempo tá assim?"
"Uns três dias… não é nada, Lu. Relaxa."
Ele franziu a testa, sério.
"Pode acontecer, mas é bom avaliar. Pode ser algum efeito colateral novo."
"Não se preocupa, tá? Eu to me cuidando." ele me olhou ainda avaliando.
"E como estão as coisas com o Felipe?"
Eu suspirei, sentando na cadeira giratória.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Coração Emprestado: A babá da filha do Juiz