— Alô, mamãe. — Alice, sem que ninguém percebesse, havia ligado para a mãe e perguntou na frente de todos: — Sabe com quem estou indo jantar hoje à noite?
Ela colocou no viva-voz.
A voz gentil da Sra. Paz veio do telefone:
— Com a Inês, não é? Vocês ainda não chegaram?
— Acabamos de chegar ao restaurante. Mamãe, você se importaria se minha amiga não tivesse pai nem mãe?
— Alice. — A voz da Sra. Paz ficou séria. — Quem te ensinou a falar com tamanha falta de educação?
Alice ergueu as sobrancelhas para Douglas.
— Desculpe, mamãe, eu errei.
É claro que ela não diria à mãe que aquelas palavras mal-educadas vieram de Douglas, afinal, sua mãe e o Sr. Siqueira ainda tinham uma relação de amizade.
Douglas quase perdeu a compostura.
Com uma pessoa mais velha envolvida na discussão, Julieta e Douglas saíram derrotados.
Vendo as portas do elevador se fecharem, Alice praguejou:
— Que ódio, sair para jantar e encontrar gente desagradável. Inês, você está bem?
Ding.
Uma mensagem apareceu na tela.
Sra. Paz: [Alice, assim que terminar o jantar, venha para casa imediatamente.]
Inês apontou para o celular dela, preocupada:
— Você é que não deve estar bem, né?
Alice mordeu o lábio. Sua mãe a chamara pelo nome completo, o que significava que estava um pouco zangada.
— Tudo bem, tudo bem, eu tenho meus truques.
— Hum?
Alice, na frente dela, enviou um longo texto para o irmão, contando o que acabara de acontecer e sobre a fúria da Sra. Paz, que não sabia da história toda.
Por fim, enviou mais uma frase:
[Você é meu irmão, socorro! Vamos para casa juntos hoje à noite!]
...
No térreo do restaurante.
Julieta consolava Douglas:
— Não ligue para isso. A Sra. Simões é mimada demais na Cidade Alvorecer, e a Inês, desde que ficou amiga da Alice, também ficou cada vez mais arrogante.
Douglas praguejou:
— Está se achando porque tem quem a proteja. Você costuma ficar calada assim?

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