Julieta sentiu uma pontada de ciúme e disse sorrindo:
— Essa aliança simples é até bonita.
Enquanto falava, tirou o anel do lugar.
— O que você vai fazer? — Abel segurou o pulso dela.
Julieta fingiu não entender e continuou sorrindo:
— Vou colocar, ué. Não é um anel que você preparou para mim?
— Não. — Abel estendeu a mão para pegar o anel, mas Julieta o segurou firme, impedindo-o.
— Não é para mim? Então é para quem?
Abel olhou para os olhos trêmulos de Julieta e, por um momento, não conseguiu dizer nada que a magoasse.
O caso do projeto do Núcleo Próprio já a havia ferido.
— Se você gosta, outro dia eu compro um diferente para você. — Abel puxou o anel com força e o colocou de volta no compartimento.
O sorriso de Julieta desapareceu gradualmente.
— Abel, esse anel é para a Inês?
Ela não conseguiu evitar a pergunta.
Abel apertou levemente os lábios e disse:
— Esse anel sempre foi da Inês.
— Abel, o que você quer dizer com isso? — Julieta fez uma expressão de dor. — Esse anel sempre foi da Inês... e você também é da Inês, é isso?
Abel abriu a boca e a fechou novamente.
Ele não sabia como responder.
Julieta estava com lágrimas nos olhos:
— Nós estávamos juntos primeiro, quando foi que você passou a ser dela? É porque fui expulsa do projeto e você acha que eu sou só um rostinho bonito? É porque o status da Inês é superior ao meu agora e você acha que só ela merece estar ao seu lado?
— Não. — Abel franziu o cenho. — Julieta, não tem nada a ver com o projeto, nem com a Inês ser ou não mais competente que você. Esse anel é da Inês, é a nossa aliança de casamento. Se você gosta de anéis, eu posso comprar um para você também.
— É a mesma coisa? — perguntou ela. — Você vai comprar uma aliança de casamento para mim também?
Só faltou perguntar "quando vamos nos casar".

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