Já era tarde da noite, e eu estava exausta. Voltei para o posto de informações improvisado, que servia como base temporária.
Depois de terminar de subir todos os materiais audiovisuais, meu corpo cedeu, e eu me joguei no colchão fino que tinha no chão. A parede áspera atrás de mim pressionava minhas costas, machucando até os ossos.
Virei a cabeça para o lado e vi Augusto parado em um canto, observando ao redor com a testa levemente franzida.
Seu caro terno estava sujo de poeira, e os cabelos, normalmente impecáveis, estavam bagunçados. Ainda assim, ele mantinha aquele ar de elegância e superioridade, completamente deslocado em meio ao caos ao nosso redor.
— Volte para casa. — Disse eu, com a voz rouca e cansada. — Este lugar não é para você. Você é refinado demais para estar aqui. Não faz sentido passar por isso.
Augusto desviou o olhar para mim. O franzir em sua testa ficou ainda mais evidente.
— Se você veio até aqui para me provar alguma coisa, eu já entendi. Agora venha comigo. Vamos embora. Não adianta continuar com essa teimosia.
Olhei para ele e, por um instante, senti vontade de rir. Mas o riso veio acompanhado de um amargor que me fez desviar os olhos.
Balancei a cabeça lentamente e deixei um sorriso amargo surgir nos lábios:
— Augusto, você se dá importância demais. E me subestima demais. Você acha mesmo que eu arriscaria a minha vida só para te desafiar?
Ele ficou em silêncio, mas seus olhos escuros continuaram fixos em mim, intensos.
Depois de um longo tempo, ele não insistiu mais. Em vez disso, caminhou até onde eu estava e se sentou no chão, bem ao meu lado.
A poeira sujou sua calça social, mas, mesmo sendo tão metódico e cheio de manias, ele pareceu não se importar.
— Se está cansada, pode se apoiar em mim por um tempo. — Disse ele, com a voz baixa e fria. Apesar disso, inclinou-se um pouco para mais perto de mim.
Fiquei surpresa e hesitei por um momento, mas antes que pudesse responder, ele simplesmente colocou a mão na minha cabeça e me pressionou gentilmente contra o ombro dele.
A exaustão tomou conta de mim. Não consegui resistir. Assim que encostei no ombro dele, o sono veio com força, e eu apaguei em poucos minutos.
Mas ninguém consegue dormir tranquilamente em um lugar como aquele. Assim que o céu começou a clarear, eu despertei.
Notei que Augusto ainda estava na mesma posição. Ele claramente não tinha dormido. Continuava imóvel, deixando que eu descansasse no ombro dele, enquanto segurava um rosário entre os dedos, girando-o distraidamente.
— Você acordou? — Perguntou ele, olhando para mim.
Seu rosto, iluminado pela luz suave do amanhecer, parecia mais sereno, quase caloroso — algo que eu não via há muito tempo.
Eu não tinha energia para entrar em mais um drama de “esposa contra a amante”. Estava cansada demais para expor as mentiras óbvias de Mônica. Então apenas entreguei o celular a Augusto, desligando o viva-voz.
Não sei o que ela disse para ele, mas pude ver a mudança imediata na expressão de Augusto. Seu rosto ficou tenso, e uma preocupação evidente tomou conta dele.
— Certo. Estou indo agora. — Disse ele, encerrando a chamada.
Ele colocou o celular no bolso e levantou-se. Sem dizer mais nada, começou a caminhar em direção ao local onde sua aeronave estava estacionada.
Mas, de repente, ele parou. Virou-se para trás e me encarou. Eu continuava no mesmo lugar, sozinha, observando-o partir.
Nesse exato momento, o alto-falante do posto começou a transmitir um aviso:
— De acordo com os últimos dados do instituto sismológico, há possibilidade de réplicas do terremoto durante esta noite. Pedimos que todos os voluntários tomem cuidado e fiquem atentos.
A mensagem trouxe inquietação ao ambiente. Pessoas começaram a se entreolhar, nervosas. Algumas já cogitavam ir embora. Afinal, ninguém sabia qual seria a intensidade das réplicas ou o estrago que poderiam causar. Permanecer ali era arriscar a própria vida.
Augusto ouviu o aviso, e seus olhos escureceram. Ele parecia preocupado, mas sua expressão era difícil de ler.
— Quer ir embora comigo? — Perguntou ele, com um tom sério.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Depois do Divórcio, Meu Ex-marido Frio Perdeu o Controle
Eu gosto da história mais tá cansativo demais ja...
Eu que ja tô perdendo o controle kkkkk chato isso...
A história de Débora e Thiago é um passo pra frente e 10 pra trás...
Mulheeeer, desenrola essa história por favor. Mais de 600 capítulos e a história segue girando e não sai do lugar…...
Cara, sinceramente... Estava amando a história... Mas a autora está enchendo muito linguiça... Uma história ficando sem fim e perdendo a essência... Está ficando longa demais, perdendo sentido e deixando a plataforma desacreditada. Último livro que leio....
Nao gasto nem mais 1€ com este livro...
A autora quer deixar augusto de bonzinho, mas não dá, ele é muito sem futuro....
A história fica meio enrolada,Mônica teve uma filha com o irmão da Débora,e Autora deixa a história no ar. Alice aparece e desaparece sem ter nenhuma fala dela Mae da Débora viva ,como assim? Quem realmente é a filha da Débora e Augusto, lais ou Rafaela? Que história mais enrolada....
esse livro esta parecendo mas uma história de tortura do que de romance, essa pobre da Débora não tem um minuto de sossego...
Tá bom de liberar mas episódios e manda augusto pra porra affff e desenrola Thiago e Débora...