Eu o encarei fixamente, com seriedade, e disse:
— Augusto, você deveria ir embora.
— Ir embora para onde?
Ele me lançou um olhar indiferente, ignorando completamente o que eu disse, e simplesmente se acomodou na cama ao meu lado.
Reuni todas as forças que ainda me restavam para me afastar para o outro lado. Só de pensar que esse homem tinha dividido a cama com a Mônica sabe-se lá quantas vezes, sentia uma repulsa imensa. Ele me parecia tão sujo que eu tinha vontade de chutá-lo para fora dali.
Mas, no final das contas, minha cirurgia havia sido recente, o efeito da anestesia mal tinha passado, e meu pé ainda estava debilitado. Por mais que tentasse, não conseguia escapar muito longe.
Eu o lembrei:
— Sua filha e sua amante ainda estão esperando por você em casa. Aqui não é lugar para você.
Augusto franziu levemente as sobrancelhas, mas, logo em seguida, soltou uma risada baixa e provocativa:
— Você se lembra do mês passado, quando apareceu no meu escritório com aquela camisola de renda, querendo transar comigo? Naquela época, você não era tão recatada assim.
Minhas lembranças imediatamente voltaram para aquela noite humilhante. Mordi o lábio inferior com força, tomada por um arrependimento profundo.
Eu nunca fui do tipo de mulher que se solta facilmente. Mas, com a frequência de uma relação íntima por mês, estava ficando cada vez mais difícil engravidar.
Eu passei semanas me preparando psicologicamente. Coloquei a lingerie de renda preta que ele costumava adorar e fui até o escritório. Num ato de coragem extrema, sentei no colo dele de forma constrangedoramente provocante.
Porém, não importava o quanto eu o beijasse ou o tentasse seduzir, ele parecia completamente indiferente.
No final, ele me empurrou para longe, jogou o paletó sobre mim e, com a testa franzida, disse:
— Quem te ensinou a ser tão vulgar?
Depois disso, ele pegou o rosário que estava sobre a mesa, começou a girá-lo entre os dedos e saiu do escritório sem sequer me lançar outro olhar.
Ele pareceu ser atingido pelas minhas palavras e, talvez por sentir-se culpado, seu tom de voz perdeu um pouco da arrogância. Ele respondeu, com uma leve hesitação:
— A situação era muito caótica. Havia muita gente no canteiro de obras, e eu realmente não percebi que você estava machucada. Se tivesse percebido, nunca teria te deixado sozinha.
Eu encarei profundamente seus olhos negros e perguntei, com firmeza:
— Então me diga, se tivesse uma segunda chance, quem você escolheria salvar? Numa situação em que só pudesse salvar uma pessoa, você escolheria me salvar?
Augusto permaneceu em silêncio. E seu silêncio já era a resposta que eu temia.
Um vazio tomou conta do meu coração. Não insisti mais para que ele fosse embora. Apenas virei de costas para ele e tentei dormir.
De repente, percebi que aquele homem, com quem eu tinha compartilhado vinte anos de vida e tantas conversas, agora parecia alguém com quem eu não tinha mais nada a dizer.
Augusto apagou a luz, ajustou o cobertor sobre mim e, então, me envolveu em seus braços por trás.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Depois do Divórcio, Meu Ex-marido Frio Perdeu o Controle
Gente o que o tio do Thiago tem haver com o sumiço da mãe dela. Coitada Thiago tbm escondeu da Débora esse sumiço....
Perguntas que ficaram sem respostas O que houve com a mãe da Débora? O pai dela é o pai do Lorenzo? Eles encontram o Felipe? O Cláudio e a Alice ficam juntos? Sério que por causa de um escândalo a empresa multimilionária do Augusto faliu? Diz que vai ter mais capítulos, pq se a história acabar aqui é lamentável para dizer o mínimo, tantos capítulos pra terminar assim? Ajuda aí autor!...
Não acredito que acabou com tantos finais sem desfecho. O que aconteceu co. A mãe da Débora? O pai dela quem era? O Cláudio não cumpriu a promessa? O Filipe foi encontrado?...
Quase no final eles bloqueiam os episódios, brincadeira isso....
Apesar de eu gostar de histórias com finais em aberto, existe uma diferença brutal entre um desfecho aberto intencional e uma ponta solta por incompetência ou preguiça do autor. Na teoria literária, o primeiro é uma escolha artística para gerar reflexão, enquanto o segundo é apenas um plot hole. Nessa história o que não falta são pontas soltas, falhas de roteiro, sinto que a história acabou antes do que a autora desejasse que fosse o fim. E quanto aos pais biológicos de Débora? E quanto aos paradeiro de sua mãe? Essas e outras questões me deixam com essa sensação. A história não oferece elementos para que o leitor teorize o final. Fica evidente que a autora se encurralou em um mistério tão complexo que ela mesmo não soube como resolver, optando por cortar a cena ou encerrar a história de forma abrupta para "fugir" do problema....
Num outro aplicativo tem mais sobre o casamento, mas mesmo assim a história ficou incompleta,a mãe da Débora não fala se ela morreu quando desapareceu, a Alice não ficou com o Claudio e a Mônica que fim teve na verdade com a mãe dela.Sao detalhes que fez diferença...
Amei esse livro, me prendeu do começo ao fim, porém não acredito que essa história vá terminar assim. Com certeza vai sair mais episódio. Lembro quando comecei a ler era 999 capítulos, depois apareceu mais ate 1010... estou na esperança de sair o resto dessa história. Só uma ressalva, a partir desse capítulos que começa a pagar, está faltando algumas partes... por favor alguém corrige esse erro, pq ate agora não sei o que o Thiago disse para Debóra......
Sério q acaba no capítulo 1010???...
Cadê o capítulo 982??? Vão liberar qdo?...
Mentira que acabou assim...