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Depois do Divórcio, Meu Ex-marido Frio Perdeu o Controle romance Capítulo 479

Nem ele mesmo acreditava no que dizia, mas continuava repetindo aquelas palavras, como se insistir pudesse torná-las verdade.

Os joelhos dele já estavam em carne viva, e o sangue que escorria misturava-se com a chuva gelada, provocando uma dor insuportável.

De repente, Augusto se lembrou de um dia no inverno passado. Naquela mesma escadaria de pedra, ele havia forçado Débora a se ajoelhar.

Cada degrau que ele agora se ajoelhava e percorria com sofrimento já tinha sido palco da dor de Débora.

Cada golpe de dor que ele sentia agora era apenas um reflexo daquilo que ele mesmo havia imposto a ela no passado.

E, naquele tempo, ela ainda carregava o filho dele no ventre. Mesmo grávida, ele a obrigara a ajoelhar-se ali, pedindo perdão, como se fosse ela a culpada.

Augusto não conseguia imaginar o desespero e a dor que Débora sentiu quando o bebê, ainda uma vida em formação, transformou-se em uma poça de sangue que escorreu de seu corpo.

A chuva continuava caindo, gelada e cortante. Naquele momento, ele finalmente compreendia o frio que penetrava os ossos de Débora e a dor que ela suportara enquanto estava naquela mesma posição.

— Me desculpa… Débora, me desculpa…

A voz dele era um grito abafado, e seu rosto estava coberto por algo que ele não sabia mais distinguir: eram lágrimas ou apenas a chuva que escorria? Ele olhou para o céu e gritou, como se pudesse ser ouvido:

— Devolvam a minha Débora!

Mas, no silêncio vazio da montanha, a única resposta que ele ouviu foi o eco de sua própria voz.

Sua Débora nunca mais voltaria, não é?

Finalmente, com os joelhos ensanguentados e em carne viva, Augusto conseguiu alcançar o topo da montanha.

A estátua do santo, que ele sempre achara bondosa e acolhedora, parecia agora fria e austera sob a luz trêmula das velas.

Os olhos da imagem, que sempre transmitiam serenidade, pareciam julgá-lo com severidade. Aquela frieza lembrava exatamente o olhar de Débora para ele.

Já era tarde da noite quando Augusto voltou para casa. Ele foi ajudado por Felipe, que o amparou até a entrada.

Fabiana, aflita, correu para recebê-lo assim que o viu.

Mônica, por sua vez, assumiu imediatamente o papel de uma esposa dedicada e solícita. Pegou uma toalha seca e começou a enxugar o corpo dele com cuidado.

— Augusto, o que você estava fazendo fora por tanto tempo? Por que voltou tão molhado assim? — Perguntou ela, com um tom doce e preocupado.

Tudo tinha saído exatamente como planejado. Débora estava fora do caminho.

Quanto a Alice, ela não teria coragem de voltar para Augusto depois de tudo o que aconteceu. Por isso, ela continuava escondida.

Fabiana, ao ouvir que Débora havia sido vendida para o bairro da luz vermelha, pareceu indiferente e até satisfeita:

— É mesmo? Então podemos pedir ao tribunal que declare o desaparecimento dela. Assim, nem precisamos mais do divórcio. Você pode se casar com a Mônica imediatamente!

Mônica, embora estivesse explodindo de alegria por dentro, fingiu preocupação. Ela pegou uma tigela de chá de gengibre, soprou levemente para esfriar e sentou-se ao lado de Augusto.

— Augusto, a Débora é uma mulher forte. Tenho certeza de que ela vai superar isso. Mas você também precisa cuidar da sua saúde. Por favor, tome o chá. Depois, eu preparo um banho quente para você…

Antes que ela pudesse terminar, Augusto ergueu a mão e, com um golpe violento, jogou a tigela no chão.

— Saiam todos daqui! — Ele gritou, com uma fúria que ecoou pela sala.

Mônica deu um salto para trás, assustada, e levantou-se imediatamente.

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