Miguel Ylmaz Aksoy
Desde o momento em que trouxe Anny de volta para esta casa, algo em mim sabia que a guerra estava longe de terminar. Quando me virei e vi a raiva em seus olhos, percebi que aquela mulher não era mais a mesma de antes. Ela havia endurecido, se fortalecido, e estava disposta a fazer o que fosse necessário para escapar.
Mas eu não podia deixá-la ir. Não ainda.
Ela se aproximou, os olhos queimando com uma fúria que fazia minha respiração acelerar. Anny sempre teve esse efeito sobre mim. Mesmo nos piores momentos, mesmo quando tudo entre nós parecia perdido, ela era o caos que me atraía e a paz que eu nunca conseguia alcançar.
— Fala logo, Miguel. Diz o que você quer — ela exigiu, cruzando os braços e ficando perto o suficiente para que eu sentisse o perfume dela.
— O que eu quero é mostrar para você que estou arrependido. — Respirei fundo, sentindo o peso do que estava prestes a admitir. — Eu não devia ter me divorciado de você, Anny. Por isso não quero que corra perigo por minha causa. Eu não vou me perdoar se alguém te machucar por minha culpa.
Ela ficou em silêncio por um instante, me encarando, e eu podia jurar que havia algo além de raiva nos olhos dela. Então, ela deu um passo à frente, diminuindo ainda mais o espaço entre nós, e, antes que eu pudesse reagir, puxou minha nuca e me beijou.
O beijo era intenso, carregado de raiva, saudade e algo que eu não conseguia decifrar. Não pensei. Apenas correspondi. Minhas mãos deslizaram até sua cintura, puxando-a para mais perto. Sua pele estava quente, e o cheiro dela fazia minha cabeça girar.
De repente, ela começou a desabotoar minha calça, seus dedos ágeis e determinados, como se estivesse conduzindo uma dança na qual eu era apenas um espectador. Nos movemos em direção à cama, e quando me sentei na beira, ela se posicionou sobre mim, os lábios nos meus, o meu corpo estava em chamas.
Toquei seus seios por baixo do tecido do vestido sentindo sua respiração falhar. Me inclinei, sugando sua pele macia enquanto ela arqueava o corpo, e, naquele momento, era como se o mundo fora daquele quarto deixasse de existir.
Mas então, antes que pudesse perceber o que estava acontecendo, senti algo pesado bater na lateral da minha cabeça. Uma dor aguda me atingiu, e o mundo ao meu redor ficou turvo.
— M*****a... — murmurei, tentando me levantar.
Vi Anny se apressar até a porta, a chave em mãos, enquanto tentava desesperadamente abri-la. Tentei alcançá-la, mas minhas pernas falharam, e caí de joelhos, o sangue pulsando dolorosamente na cabeça.
Antes que pudesse reagir, ouvi os passos rápidos dos seguranças. Não demorou muito para que a trouxessem de volta, segurando-a pelos braços enquanto ela se debatia.
— Senhor Aksoy, ela estava tentando fugir — um deles informou.
Assenti, ainda pressionando o lado da cabeça.
— Fechem a porta e tranquem por fora. Só abram essa porta se eu pedir.
Assim que eles saíram, Anny se jogou na poltrona, cabisbaixa, os braços cruzados em frustração.

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