Miguel Ylmaz Aksoy
Eu não consegui dormir naquela noite. Permaneci sentado na poltrona do quarto, observando Anny enquanto ela se encolhia na cama, o rosto virado para a parede. Cada curva do seu corpo parecia gritar que ela estava distante, inalcançável.
Como foi que chegamos a isso? Deixei o amor da minha vida escapar, me afoguei na obsessão por outra pessoa e agora, quando finalmente percebi que tentei fingir não amá-la, talvez fosse tarde demais.
O silêncio no quarto era sufocante. Eu precisava falar com ela, dizer mais do que apenas desculpas vazias. Precisava fazê-la entender que tudo o que fiz, por mais errado que fosse, sempre teve como objetivo protegê-la de mim mesmo e dos meus segredos.
— Não vai dormir? — Sua voz baixa cortou o silêncio.
Olhei para ela, mas ela não se virou.
— Não consigo. — Respondi, direto.
Ela bufou, quase rindo.
— Culpa costuma tirar o sono mesmo.
— Anny... — Me levantei, caminhando até a cama. — Sei que você não acredita em mim agora, mas o que eu sinto por você não é dependência, não é ego. É amor. Sempre foi.
Ela se virou de repente, os olhos brilhando de raiva.
— Amor? É isso que você chama de amor? Você esteve casado comigo por quatro anos e sempre fez questão de ser distante, nunca me deu carinho, atenção, o único lugar que saíamos juntos era a casa dos seus pais. Você me ignorou por anos enquanto eu fazia de tudo para manter nosso casamento de pé. E agora que sua vida virou um caos, você decide que me ama?
Me sentei na beira da cama, mantendo a distância que ela claramente queria.
— Eu errei. Não vou negar. Mas quando nos divorciamos, eu percebi que o problema nunca foi você. Era eu. Eu estava tão perdido na ideia de poder, na raiva pelo que aconteceu com a minha mãe, que acabei afastando a única pessoa que realmente se importava comigo e me apegando a ideia de que só amava o que eu não poderia ter, assim eu não me machucaria.
Ela me encarou, como se tentasse decifrar se eu estava sendo sincero.
— Miguel, o que você quer de mim agora? Você já disse que vai me deixar ir amanhã. Por que não podemos simplesmente encerrar isso aqui?
Respirei fundo, passando as mãos pelo cabelo.
— Porque eu preciso que você saiba de tudo antes de ir. — Olhei diretamente nos seus olhos. — Preciso que saiba que Leyla, aquela mulher que você admira muito, é minha irmã e que não consigo sentir nada por Diana desde que ela voltou, achei que eu gostasse dela, mas tudo o que eu só desejo é você,não consigo dormir e só penso em você.
Os olhos dela se arregalaram, e eu continuei antes que ela pudesse interromper.
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— Você é inacreditável, Miguel. — Sua voz saiu baixa, quase como um sussurro. — Primeiro, você destrói meu coração. Agora, você me diz que estamos presos um ao outro por causa de um pedaço de papel que você não teve coragem de assinar?
— Não foi só um pedaço de papel. Foi minha última esperança de um dia consertar as coisas entre nós.
Ela ficou de pé, os olhos fervendo de raiva.
— Não existe conserto para isso, Miguel. Eu te amei mais do que qualquer coisa. Mais do que a mim mesma. E você destruiu isso. Não importa o que diga, não importa o que faça, eu não sou mais sua.
Minha voz saiu baixa, quase um sussurro.
— Talvez você não seja mais minha, mas eu ainda sou seu.
Ela me olhou por mais um momento, antes de se virar e voltar para a cama, me ignorando completamente. Sentei na poltrona, o peso de tudo que ela disse caindo sobre mim.
Eu sabia que amanhã a deixaria ir, mas a ideia de perdê-la novamente era insuportável. Se ela se afastasse de mim de vez, eu sabia que não haveria volta. E, pela primeira vez, tive medo de que isso fosse exatamente o que aconteceria.
Continua...

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