Anny Celik
A luz da manhã entrou timidamente pelas cortinas entreabertas, trazendo-me de volta à realidade. Pisquei algumas vezes, tentando ajustar meus olhos à claridade. Virei o rosto, e meu coração deu um salto ao perceber Miguel deitado ao meu lado. Ele me segurava pela cintura, como se, mesmo dormindo, tivesse medo de me deixar ir.
Por um momento, fiquei observando-o. A expressão dele era serena, os traços tão familiares e ainda tão dolorosos de encarar. Não sei por quanto tempo fiquei ali, mas então ele abriu os olhos lentamente, encontrando os meus.
— Bom dia. — Ele sorriu e, antes que eu pudesse reagir, inclinou-se e me deu um selinho.
Afastei-me ligeiramente, meu corpo tenso.
— Você está equivocado, Miguel. Eu não sou a Diana.
Ele piscou algumas vezes, como se precisasse processar minhas palavras, mas manteve o tom calmo.
— Você tem todo direito de agir assim. Eu sempre a rejeitei, acreditando que amava a Diana... — Ele fez uma pausa, e seu olhar ficou mais sério. — Mas eu não quero perder você, Anny.
Senti um nó na garganta. Por que ele estava dizendo essas coisas agora? Por que, depois de tantos anos de indiferença, ele estava tentando me manter ao lado dele?
Levantei-me, ignorando a súplica em seus olhos.
— Preciso ir. Tenho que ir para o hospital. Espero que não me mantenha mais presa aqui.
Miguel sentou-se na cama, passando a mão pelos cabelos em um gesto que misturava cansaço e frustração.
— Eu quero lhe pedir algo. — Ele respirou fundo antes de continuar. — Quero que more aqui.
Eu ri, sem humor.
— Isso é uma piada?
— Por favor, Anny. Não faça isso por mim, mas pela sua vida. Preciso resolver essa situação com o meu inimigo, e se você for embora agora, estará correndo perigo.
— Não percebe que isso é loucura? — perguntei, balançando a cabeça.
Ele se levantou e caminhou até o closet sem dizer mais nada. Fiquei ali, observando-o, tentando entender o que ele estava tramando desta vez. Quando voltou, trazia uma pasta preta em mãos.
— O que é isso? — perguntei, olhando para o objeto que ele me estendia.
— São os documentos que provam que você é a dona da empresa que foi do seu pai.
Minhas sobrancelhas se arquearam em surpresa. Peguei a pasta e comecei a folhear os papéis, sentindo um frio na espinha ao ver meu nome ali, como proprietária legítima.

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