Anny Celik
Ao chegar à porta do meu apartamento, senti uma estranha inquietação. A luz do corredor era fria, quase clínica, mas não era isso que me incomodava. Olhei para a fechadura digital, um novo sistema que eu não lembrava de ter instalado. Franzi a testa, confusa, e levantei a mão para tocar o teclado, mas parei ao ouvir passos atrás de mim.
— Anny — a voz grave de Miguel soou próxima, e antes que eu pudesse me virar, senti sua mão firme pousar na minha cintura.
Um arrepio percorreu minha espinha, mas me forcei a ignorar.
— O que está fazendo aqui? — perguntei, girando levemente a cabeça para encará-lo.
Ele não respondeu de imediato. Em vez disso, esticou o braço e digitou a senha no painel com a facilidade de quem fazia isso há anos. Um som suave indicou que a porta estava destrancada.
— O que foi isso? — perguntei, minha voz carregada de incredulidade.
Ele abriu a porta com um movimento elegante e virou-se para mim, os olhos brilhando com aquela mistura de autoconfiança e algo mais que eu não conseguia identificar.
— É a data do nosso aniversário de casamento — respondeu, como se fosse a coisa mais óbvia do mundo.
Fiquei paralisada, sentindo meu coração acelerar. Ele deu um passo para trás, me dando espaço para entrar, mas eu não me movi.
— Como você fez isso? — exigi, cruzando os braços.
Miguel inclinou a cabeça levemente, os lábios curvados em um sorriso que era ao mesmo tempo encantador e irritante.
— Não sinto que você esteja segura sem a minha presença, então decidi fazer o que for necessário para protegê-la.
— Proteger-me? — minha voz saiu mais alta do que eu pretendia. — E quem te deu esse direito?
Ele suspirou, os ombros largos relaxando um pouco enquanto dava um passo em minha direção.
— Anny, depois de tudo o que aconteceu... não posso simplesmente ficar de braços cruzados.
Passei por ele, entrando no apartamento e tentando ignorar a proximidade de seu corpo. Ele me seguiu, fechando a porta atrás de si.
— Por que está aqui, Miguel? — perguntei, virando-me para encará-lo.
Ele olhou ao redor, como se inspecionasse o lugar, e então apontou para o sofá.
— Vou ficar aqui.
— Aqui? — repeti, incrédula.
— Sim. Não quero que você passe a noite sozinha.
Cruzei os braços novamente, tentando esconder o quanto sua presença me afetava.
— Não preciso da sua proteção. Estou bem sozinha.
— É mesmo? — perguntou ele, dando um passo em minha direção. — Porque você não parece tão segura agora.
Seu olhar era intenso, e eu sabia que ele estava jogando, usando o mesmo charme que sempre teve.
— Isso é ridículo, Miguel. Você não pode simplesmente invadir minha vida assim.
Ele deu de ombros, aproximando-se ainda mais.
— Não estou invadindo. Estou garantindo que você esteja segura.
— Miguel, vá embora.
Ele não respondeu de imediato. Em vez disso, ergueu uma mão e acariciou meu rosto, os dedos roçando de leve minha pele.
— Não vou a lugar nenhum, Anny.
Afastei-me, mas meu coração já estava em um caos.


VERIFYCAPTCHA_LABEL
Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Depois do Divórcio: Te quero de volta