Anny Celik
O som do abajur se estilhaçando no chão fez meu coração saltar.
—Droga!—murmurei, inclinando-me para recolher os pedaços, mas antes que eu pudesse fazer qualquer coisa, a porta do quarto se abriu com um movimento brusco.
Miguel entrou rapidamente, os olhos escaneando o quarto até me encontrar ao lado da cama, vestindo apenas uma camisola de seda. O tecido fino caía sobre minha pele como uma segunda camada, e o olhar dele percorreu meu corpo de cima a baixo com intensidade suficiente para fazer meu rosto arder.
— Está tudo bem? — perguntou ele, com a voz rouca, mas carregada de preocupação.
Apressada, peguei o lençol da cama e o envolvi ao redor de mim, tentando criar alguma barreira entre nós.
— Estou bem. Só derrubei o abajur, não precisava entrar assim. — Minha voz saiu mais firme do que eu esperava, mas ele não parecia se importar.
Ele deu alguns passos em minha direção, seus olhos ainda presos em mim como se eu fosse a única coisa naquele quarto.
— Você está linda — disse ele, com um sorriso no canto dos lábios, a voz baixa e cheia de malícia. — Essa lingerie... combina com você. Mas confesso que prefiro o que está por baixo.
Meu coração acelerou, e eu quis acreditar que era de raiva. Apertei o lençol com mais força contra mim, tentando me proteger do turbilhão de emoções que sua presença sempre provocava.
— Miguel, não comece com isso — retruquei, desviando o olhar e tentando recuperar o controle.
— Por que não? — Ele deu mais um passo, reduzindo a distância entre nós. Seu perfume amadeirado encheu o ar, intoxicante e familiar. — Anny, você sabe tão bem quanto eu que ainda há algo entre nós. Eu sinto. Você sente.
— O que eu sinto é raiva, Miguel. E exaustão. — Forcei um sorriso irônico, tentando ignorar o calor que subia pelo meu corpo. — Agora, por favor, saia do meu quarto.
Ele ignorou meu pedido, inclinando-se levemente em minha direção. Seus dedos roçaram de leve o lençol que eu segurava, e por um segundo achei que ele o arrancaria de mim.
— Raiva também é uma forma de sentir algo intenso. E você sabe que sempre fomos bons no intenso. — Sua voz era como um sussurro contra minha pele, me fazendo prender a respiração.
Eu me recusei a ceder, mesmo quando meu corpo gritava o contrário.
— Miguel, se você der mais um passo, eu grito. — Minha voz tremia, mas minhas palavras foram firmes.
Ele parou, finalmente recuando com um sorriso carregado de algo entre provocação e rendição.
— Boa noite, Anny. — Ele disse, como se fosse uma promessa, antes de virar as costas e sair do quarto.
Eu fiquei ali, com o coração martelando no peito e o lençol ainda agarrado ao meu corpo. Não importava o quanto ele tentasse, eu não cederia. Não de novo. Não enquanto meu orgulho fosse mais forte do que o desejo.
Miguel Ylmaz


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