Francisco Fontes estava prestes a responder, mas achou que a voz soava diferente. No segundo seguinte, a porta do escritório da presidência foi aberta.
— Hehe, não esperava por essa, né? Eu vim pessoalmente — disse Samuel Holanda, acenando com o celular e exibindo um sorriso largo.
— Sente-se — disse Francisco, desligando a ligação e vendo-o sorrir feito um tolo, enquanto erguia o queixo em direção à cadeira à frente.
Samuel cruzou as pernas, repousando as mãos casualmente nos braços da cadeira, e retomou o assunto da ligação.
— Você pretende aproveitar a oportunidade para se infiltrar na residência Mendes e conseguir informações sobre aquela pessoa?
— É exatamente isso que planejo — Francisco fechou a caneta preta, com a voz grave.
— Sabe de uma coisa? Me leva junto também, talvez eu possa ajudar.
— E como você poderia ajudar?
— Caramba, você usa a ponte e depois a destrói! Fui eu quem deu a ideia de usar Gustavo Mendes para se infiltrar na família — protestou Samuel.
— Acha que eu não pensaria no que essa sua cabeça consegue pensar?
— Tudo bem, eu levo você. Mas arranje dois homens espertos para aquele dia — disse Francisco, mudando de tom no instante seguinte, depois que a provocação quase fez Samuel dar um pulo de raiva.
Samuel entendeu na hora. Ele e Francisco eram o centro das atenções no mundo dos negócios da Capital. O motivo de Bernardo Mendes ter convidado Francisco para o seu aniversário era também a intenção de estreitar laços para entrar no círculo da elite da Capital. Assim, seria inevitável que houvesse muita socialização, e era provável que passassem a noite inteira ocupados.
Nessas circunstâncias, os únicos que poderiam aproveitar a chance para investigar seriam os subordinados.
— Fique tranquilo. Já que consegui descobrir que aquele sujeito está na residência Mendes, com certeza também vou te ajudar a arrancá-lo de lá.
— Não aja precipitadamente. É preferível ir devagar a assustar a presa — advertiu Francisco.
— Eu entendi.
O que precisava ser dito já havia sido dito, mas Samuel não demonstrava a menor intenção de ir embora.
— Em meia hora, tenho uma reunião — disse Francisco, olhando para o relógio de pulso.
Era um convite para se retirar.
— Esse projeto em Marazul é apenas uma fachada, por que você está levando isso tão a sério? Se quer saber, nós dois deveríamos aproveitar para comer, beber e nos divertir. Curtir tudo o que não aproveitamos nos últimos trinta anos das nossas vidas — Samuel franziu a testa.
Sem a restrição dos pais, Samuel chegando a Marazul era como um peixe caindo no oceano; passava os dias inteiros paquerando ou a caminho de uma paquera.

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