A enfermeira veterana mergulhou nas lembranças:
— O mais raro é que aquela criança era muito bondosa. Ao ouvir que o estoque de tipos sanguíneos raros do hospital era baixo, ela entrou por vontade própria na Rede de Doadores Raros e ia ao hospital doar sangue regularmente.
Gustavo estagnou de imediato, levando um longo tempo para recuperar os sentidos.
Ao ouvir a descrição inicial, achou que fosse Verônica, mas as palavras posteriores da enfermeira apontavam claramente para... Nina!
Uma emoção indescritível agitou-se no fundo de seus olhos, e, com os dedos trêmulos, ele puxou uma foto de Nina.
— É... é esta pessoa?
Apesar do longo tempo decorrido, a enfermeira veterana reconheceu-a de imediato.
— Exatamente, é esta menina! Puxa, ela ficou cada vez mais bonita!
Gustavo pôde ouvir claramente as batidas de seu próprio coração.
A pessoa que o salvou era realmente — Nina!
Sua intuição não falhara!
No entanto, a cor de seu rosto mudou abruptamente.
— A senhora tem certeza de que não se enganou?
A enfermeira hesitou, olhou a foto mais uma vez e declarou categoricamente:
— Não me enganei. Essa menina tinha uma aparência marcante, tranquila e serena. É impossível que eu tenha me enganado.
Uma aura gélida envolveu Gustavo, e seu rosto outrora cálido ficou tenso.
— Eu entendo, muito obrigado.
Após a saída da enfermeira, ele sacou novamente o celular e ligou para Lucas Vasconcelos:
— Sobre a minha doação de sangue, investigue de novo. Desta vez, pergunte a mais pessoas, faça verificações cruzadas.
— E também... — Ele olhou para o departamento de internação não muito distante, os olhos envoltos em frieza — Investigue a doença de Léo, passe por cima do médico responsável, Dr. Arnaldo.
No final de abril, na época mais ensolarada do ano em Marazul, Gustavo, no entanto, sentia-se como se tivesse caído em um porão de gelo, com o corpo inteiro frio.
Se... se realmente fosse verdade que Verônica o enganara...
Ele nem ousava pensar no que seria capaz de fazer.
Tantos anos de atenção silenciosa e desejos não realizados, para no fim ser avisado de que tudo poderia ser uma farsa.
Gustavo fechou os olhos.
Exatamente naquele momento, ouviu passos soando às suas costas.
Ele abriu os olhos e virou-se para ver.
Era Nina se aproximando.
Ela vestia um vestido branco liso naquele dia. A brisa suave levantava as bordas de sua saia, que esvoaçavam delicadamente.
Seus olhos límpidos, ao olharem para alguém, pareciam envoltos em névoa, cheios de palavras que recuavam.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Divorciada No Dia Do Meu Casamento