Assim que entrou no carro, Francisco colocou Nina no banco de passageiros, e então caminhou até o banco do motorista e guiou o carro de volta ao vilarejo.
Nina teve a impressão que Francisco não estava em um estado emocional muito favorável, embora não tivesse certeza.
Mas, após tudo aquilo, as roupas ensopadas grudavam nela e a deixavam desconfortável.
Chegando em casa, ela segurou o pijama e caminhou direto para o banheiro.
E Francisco entrou atrás dela, sem fazer o papel de convidado com cerimônias.
Com suas memórias antigas, caminhou em direção ao quarto de Nina.
Quando chegou próximo à janela, inconscientemente empurrou o vidro para abri-lo, e a velha casa em formato de sobrado chamou-lhe a atenção.
No entanto, as persianas, que um dia estiveram a apenas um braço de distância da janela daquele quarto, encontravam-se firmemente fechadas.
Francisco cerrou os olhos.
Muitas das imagens que apenas brotavam em sua cabeça no meio da noite voltaram à tona.
— Francisco, você é muito bonito!
— Superficial!
— Mas você é mesmo muito atraente! Mais ainda que o Mateus.
— Quem é esse Mateus?
— O galã da nossa escola.
— Ah, aluna do fundamental superficial.
— Francisco, você é impressionante, como consegue resolver todas essas questões?
— Francisco, disseram que você está só de passagem e que logo partirá. Você vai mesmo embora?
E mais tarde, ele acabou partindo, e ela também não permaneceu mais ali.
Ambos prosseguiram com novas vidas.
— Francisco?
Francisco virou a cabeça quando ouviu a voz de Nina, e observou-a enxugar o cabelo com uma toalha.
— Já terminei, pode ir tomar o seu. Ajustei o aquecedor para você, não precisa mexer na temperatura.
A respeito do pijama, Nina pegou algumas roupas velhas esquecidas de seu pai:
— Tente usar isto por enquanto.
Francisco não fez exigências, pegou as roupas e foi para o banheiro.
Nina também observou a janela escancarada e, depois de ponderar por um longo tempo, caminhou até lá e a fechou.
Quando Francisco terminou seu banho e saiu, foi atingido por um forte cheiro de caldo de gengibre.
Ele tampou o nariz.
Desde a infância, a coisa que mais odiava era o cheiro de gengibre.
Vendo-o sair, Nina apontou para a mesa:
— Preparei duas tigelas de caldo de gengibre, tome enquanto está quente.
Francisco secava o cabelo enquanto franzia a testa:
— Nós já tomamos o chá antigripal agora há pouco.

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