Rute evitou o contato visual:
— Não é nada. Vá logo lá dentro ver a sua avó.
Na cama do hospital, a idosa bebia um gole d'água com a ajuda de uma empregada.
Quando viu Nina entrar, os olhos opacos de Dona Elisa brilharam.
— Nina... — Chamou ela debilmente pelo nome e, em seguida, dirigiu-se aos demais. — O resto de vocês, saiam.
Yeda não aceitou aquilo:
— Mas avó, nós é que somos a sua verdadeira família!
A empregada que estava ao lado interveio:
— Senhorita, a patroa acabou de acordar, é melhor não contrariá-la agora.
Gustavo lançou um olhar significativo à irmã e depois olhou para Nina:
— Nós vamos sair agora. Fique aqui e faça companhia para a avó.
Assim que todos saíram, a primeira coisa que Dona Elisa disse a Nina foi:
— Minha filha, você passou por muita humilhação.
E a segunda foi:
— Se quiser se divorciar do Gustavo, a avó apoia você.
Nina não esperava que a avó fosse tão direta em aconselhá-la a se divorciar.
Hesitou um instante. Pensando na fragilidade da idosa, respondeu evasivamente:
— A senhora acabou de acordar, a sua saúde é o que importa agora. Nós, os mais novos, resolvemos os nossos problemas.
Dona Elisa deu um suspiro profundo:
— Não tente me esconder as coisas. Eu já sei que a Verônica e aquele filho foram morar com ele na Enseada Azul.
O rosto da idosa transbordava remorso:
— Você é uma moça de ouro, foi o Gustavo quem não soube te valorizar. Ele ainda vai se arrepender disso.
— Eu achei que ele fosse diferente do pai, mas, no fim das contas, é a mesma coisa.
— Eu não quero que você acabe como a Rute e vire uma esposa amargurada ao lado dele.
— Se você quer se divorciar, eu te apoio totalmente. Mais do que isso, eu vou te compensar.
— Não me resta muito tempo, mas, felizmente, eu ainda tenho algum poder de decisão sobre o Grupo Mendes e o patrimônio da família.
Essas palavras, que mais pareciam um testamento de despedida, fizeram o coração de Nina pular.
Os olhos dela ficaram marejados na mesma hora:
— Avó, não vai acontecer nada com a senhora.
Desde a morte de sua mãe, a única pessoa que a fizera sentir calor familiar fora Dona Elisa.
Se pudesse, ela desejava que a idosa vivesse cem anos.
— Avó, o médico disse que a senhora não pode se cansar logo depois de acordar. Descanse um pouco, eu volto em dois dias para te ver.

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